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quarta-feira, 20 de maio de 2009

ANTÔNIO PARREIRA – IDEALISMO ACIMA DE TUDO


Hélio Nascente*

Antônio Parreira soprando velinhas no seu “niver”


Antônio Parreira, falecido em setembro de 2007, viveu durante décadas em Alexânia-GO, sempre dedicando seu talento, sua cultura, sua inteligência brilhante em prol da imprensa local. Deixou grande número de amigos na cidade. Em novembro de 2001, o Jornal da AGI, de Goiânia, por iniciativa do então presidente da entidade, Walter Menezes, homenageou Parreira com a pequena biografia abaixo transcrita. Hélio Nascente, então redator do Jornal da AGI, colheu os dados com o ilustre homenageado e redigiu o texto. Hoje vive em Alexânia, tendo chegado à cidade três meses antes do passamento do amigo Parreira.


Nasceu em Guaxupé, Minas Gerais, no dia 25 de janeiro de 1926, onde estudou na Escola de Comércio, concluindo o curso de Perito Contador, com a duração de seis anos, posteriormente equiparado a curso superior. Com pouco mais de 30 anos de idade, em 1954, buscou horizontes maiores, transferindo-se para a Capital mineira, onde já tinha contatos políticos com líderes como Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves e com o veterano Arthur Bernardes, ex-presidente da República.


Em Belo Horizonte, ao mesmo tempo em que militava nas lides políticas, trabalhava e continuava os estudos, tendo feito o curso de Economia, profissão que adotou efetivamente, vindo depois a dedicar-se ao Jornalismo, misturando profissão com idealismo, com o gosto de escrever.


Trabalhou no jornal O Debate, depois chegou a ser membro do Conselho do Diário de Minas, órgão pertencente ao grupo político liderado por Negrão de Lima, que posteriormente veio a ser governador do Estado da Guanabara. A partir daí passou a se dedicar à profissão de jornalista.


Criou em Belo Horizonte o semanário Gazeta de Minas Gerais, que chegou a ter a surpreendente circulação de 50 mil exemplares.


Em 1962 transferiu-se para Goiás, estabelecendo-se na pequena e promissora Alexânia, tornando-se sócio do fundador da cidade, Alex, no empreendimento imobiliário que deu origem à cidade.


Em 1964 promoveu um comício de desagravo a favor do governador Mauro Borges Teixeira, fato que o fez ir para Buenos Aires, onde viveu durante três anos, num exílio voluntário, por não concordar com os rumos políticos tomados na época pelo governo militar. Foi para a Argentina espontaneamente.


Retornou para Belo Horizonte para continuar com o jornal Gazeta de Minas Gerais e ao mesmo tempo ingressou nas atividades políticas ao lado de Tancredo Neves. Depois instalou-se definitivamente em Alexânia, onde vive até hoje.


Resultados


Parreira fala francamente que o jornal Gazeta Regional é para ele mais o cumprimento de um idealismo, já que não dá resultados financeiros nem econômicos substanciais, rendendo apenas o suficiente para seu sustento.


Para ele, o grande resultado do jornal é o crescimento da educação da comunidade por meio da comunicação e constata que o Município cresceu muito nesse setor e que a grande maioria da população lê o jornal, diferentemente dos tempos de outrora, quando quase ninguém lia e chegaram a existir três jornais, mas com a duração de apenas alguns meses. Segundo Antônio Parreira, o jornal Gazeta Regional hoje faz parte da cidade, influindo diretamente até mesmo na maneira de ser da juventude. Uma pesquisa realizada em Alexânia verificou que 87% da população lê o jornal e o aprova.


Conselho para os jovens


Instado a dar um conselho para os jovens, para as novas gerações, o valoroso jornalista Antônio Parreira, do alto dos seus 70 anos, afirmou:


“Eu diria para o jovem de hoje colocar a cabeça no lugar, ser mais religioso, ter mais princípios, abandonar a droga, a bebida alcoólica, o fumo e viver em paz, dentro dos princípios religiosos, dos princípios humanos, cultivando o amor fraternal, o amor ao próximo de um modo geral, fazendo as orações quotidianas, porque só a oração faz com que tenhamos paz”.


E deu um exemplo: “No nosso tempo de jovens, no curso primário, antes de entrar para a sala de aula cantávamos o Hino Nacional e antes de se iniciar a aula fazíamos orações. Na minha opinião, desde que foi eliminada a obrigatoriedade da religião nas escolas, o ensino foi se deteriorando e não há mais seriedade, os alunos não sentem mis obrigação. No dia sete de setembro, ao mesmo tempo em que é executado o Hino Nacional, muitos jovens estão dançando, não acompanham, não sabem cantar, porque não aprenderam, porque a escola não ensina, a escola não é mais aquela”.


Finalizando, Parreira fez uma crítica ao ensino moderno, afirmando que “os professores de hoje pensam só no salário, esquecem o sacerdócio que deveria ser o ensino, porque é ensinando com amor que o aluno aprende e o pensamento hoje é só ganhar dinheiro, fazer greves e o verdadeiro ensinamento não importa”.


*Publicado no Jornal da AGI – Associação Goiana de Imprensa, Goiânia, edição de novembro de 2001.

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quarta-feira, 22 de abril de 2009

A FELICIDADE DE ANA PAULLA VIEIRA


Ana Paulla com sua mãe, Selma Vieira e sua maninha Danielle, felizes nas festividades das bodas do casal Dayse/Harrisson.

Todo mundo tem sua amizade "número um"! Essa amizade "número um" pode significar simultaneamente muitas pessoas. No caso da jovem de Alexânia Ana Paulla Vieira, ela tem, com seu imenso coração puro e bondoso, várias amizades "número um", uma das quais é sua amiga de infância e de colégio, Dayse, que se casou no dia 11 deste mês. Ana Paulla ficou muito feliz ao ver a felicidade da sua amiga querida.

sábado, 28 de março de 2009

GOIATINS... UM ÉDEM INEXPLORADO – Lázaro Reis*



Plantada na margem esquerda do rio Manoel Alves, na divisa com o Maranhão, encontramos a cidade de Goiatins: bonita, romântica e de gente humilde e hospitaleira.

Lá, eu e meu companheiro de viagem José Cruz, ficamos hospedados na residência do casal Domingos “Dentista” e D. Anita, que nos receberam com muita atenção e carinho.

Também fomos muito bem recebidos na residência do Sr. Deurival Coelho Soares – o mais jovem prefeito do Estado do Tocantins (35 anos) -, pessoa gentil e educada, que se colocou à nossa disposição.

Visitamos a localidade de Santa Maria, antiga Craolândia, a sessenta quilômetros de Goiatins, terras dos últimos remanescentes dos índios craôs em todo o Brasil.

Deliciamo-nos da carne seca com farinha de puba de D. Dalila, com os melões do “seu” Leo, as leitoas assadas do José Américo e das pescarias na companhia do Valteni; quando tive a satisfação (e susto) de fisgar uma enorme arraia de fogo, cujo ferrão trouxe para mostrar aos amigos. Tudo isso sem contar a aventura de ter que percorrer, por estradas ruins e sobre rios sem pontes, na famosa “marinete” do Salmeron, uma raridade de pessoa.

Sem dúvida, conhecer Goiatins foi uma experiência inesquecível.

À gente boa de Goiatins, a homenagem desta revista.

*Lázaro Reis, diretor da revista Alexânia News – 1989.

Post scriptum:

Hélio Nascente, do blogdoelius.blogspot.com.br, e www.anapolis.tv também conheceu Goiatins, em 1987, quando residia em Goiânia, no Jardim Vila Boa, e fazia diários de viagem. Eis as anotações referentes à ida àquela cidade, então norte de Goiás.

Estando percorrendo cidades do norte de Goiás, a serviço do jornal O Estado do Tocantins, órgão de imprensa que lutava pela criação da nova unidade de Federação, recebeu a incumbência de um amigo de Goiânia, médico Alberico Borges de Carvalho Júnior, de retirar nos cartórios de Filadélfia e Goiatins cópias das escrituras de terras, com os respectivos registros. Estando em Araguaína, viajou para essas cidades a fim de angariar matérias jornalísticas e anúncios comerciais para o jornal e ao mesmo tempo atender à necessidade do amigo médico e de seu sócio Luiz de Carvalho. Assim dizem trechos dos diários:

09.11.1987

05:11hs, na rodoviária de Araguaína, aguardando o ônibus das 05:30hs para Filadélfia. Na vinda de Goiânia para cá, saímos às 14:00hs do dia 7 (...), às 08:00 do dia 8 entramos em Araguaína. Logo em seguida encontrei-me com o Walter Menezes e o Antônio Barros (1), almoçamos e fui dormir num hotel em frente à Rodoviária.

Mais tarde fiquei conhecendo uma garota chamada E., com a qual copulei à noite, no hotel e ela deu-me de presente uma pasta para carregar documentos (2).

O Walter e eu conversamos com o Barros e o Hélio Araújo sobre o jornal O Estado do Tocantins (...).

Vim para Filadélfia hoje, saindo de Araguaína às 05:25hs e chegando aqui às 08:04hs, debaixo de uma tremenda chuva, tendo ficado escondido no Fórum até a chuva passar. A seguir, localizei o Sr. Zebedeu José de Souza, o qual disse que a despesa do Dr. Alberico e do Luiz de Carvalho ficaria em Cz$ 3.000,00 (três mil cruzados) cada, mais Cz$ 300,00 cada em Goiatins (3).

A seguir fui à Telegoiás (4) e liguei para o Dr. Alberico no Inamps e ele não disse se iria remeter o dinheiro hoje.

Logo a seguir almocei numa pensão e fui a Carolina-MA, onde aportei às 12:25 hs, mas fiquei lá até a Caixa Econômica Federal fechar e a OP (Ordem de Pagamento) não chegou.

Ao voltar para o porto, houve uma grande coincidência, que foi o encontro com a Custódia, mãe da Luciene, uma garota que mora em frente à minha casa. Fiquei lá um pouco e vim para a pensão, onde me hospedei e amanhã às 08:00 irei telefonar para o Dr. Alberico novamente.

10.11.1987

Levantei-me cedo e telefonei para a casa do Dr. Alberico e ele me disse que havia remetido o dinheiro no dia 9 à tarde.

Fui para Carolina e fiquei lá indo à CEF frequentemente, até às 14:00hs (quando os bancos fecham-se aqui) e o dinheiro não chegou.

Voltei para cá e telefonei para o Rubens de Lima pedindo a ele que entrasse em contato com o Dr. Alberico para ele cobrar da CEF-Goiânia a remessa da OP.

Em seguida fui tomar banho no rio Tocantins. Estava muito bom, só que eu estava sozinho numa imensidão de praia, diferente de quando estava em Miracema do Norte, junto com muita gente.

Vim para o Hotel da Dona Joana eram já 19:00hs, tomei banho, assisti a missa, depois jantei, assisti o Jornal Nacional. Depois dei uma volta pela cidade, estive na casa do Sr. Joaquim, carpinteiro, que mora na saída para Araguaína.

Fui dormir ainda cedo.

11.11.1987.

Numa pensão em Goiatins, às 21:23hs.

Levantei-me em Filadélfia às 07:00hs e fui à CEF-Carolina sem pressa, para dar tempo do dinheiro chegar.

Quando entrei na CEF eram 09:45hs e um funcionário, ao me ver e sabendo da minha intenção, levantou os braços e disse “chegou!”

Recebi e comprei passagem para cá para o ônibus das 15:00hs. Passei pela casa da Custódia, e fui para Filadélfia, mas lá chegando o cartório estava fechado. Fiquei lá, almocei e só às 13:00hs é que acertei com o Sr. Zebedeu e voltei para Carolina.

Saí às 15:00hs e cheguei aqui exatamente às 17:00hs.

Chegando aqui em Goiatins, imediatamente encaminhei no Cartório os papéis, os quais ficarão prontos amanhã de manhã.

Esta é uma cidade isolada e desprezada pelos poderes públicos. A energia elétrica é um motor que funciona até as 23:30hs. Não existe rua calçada e os meios de transporte são precários.

(Aqui só fui anotar no diário no dia 10.12.1987)

22:53hs. No Minas Hotel, em Gurupi.

Quando estive em Goiatins resolvi no dia 12 o que tinha ido fazer lá e tomei o ônibus às 09:00hs para Araguaína. No caminho, ao cruzar o rio Tocantins, havia uma balsa avariada, por isso atravessamos de canoa motorizada e aguardamos a chegada do ônibus, que ia em sentido contrário para fazermos a baldeação.

Cheguei em Araguaína às 14:50hs.

(1) Os proprietários do jornal O Estado do Tocantins, juntamente com Hélio Ribeiro.

(2) Essa pasta troquei posteriormente em Goiânia com meu amigo Rubens de Lima por uma máquina fotográfica.

(3) Aproximadamente R$ 700,00.

(4) Hoje Brasil Telecom.

Ilustração Fórum de Goiatins
http://www.tjto.jus.br/imprensa/imagens/inaug_goiatins4.jpg

Postado no site www.anapolis.tv

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Jason Abrão, radialista vitorioso


Hélio Nascente*

Jason Abrão é radialista desde os 11 anos de idade, tendo começado a labuta ainda no tempo dos alto-falantes. É locutor da Rádio Brasil Central de Goiânia desde 1971, onde apresenta nas manhãs de domingo o programa Goiás Caboclo, muito ouvido e apreciado em todo o Brasil e até no exterior. Natural de Cumari, reside na capital goiana mas acalenta o sonho de um retorno definitivo para sua terra natal. É um dos mais abalizados conhecedores da música sertaneja em todo o Brasil.

Jason Abrão é uma pessoa simples, apesar do enorme prestígio de que desfruta em todo o Brasil, mormente em Goiás, em conseqüência da sua participação em programas de rádio desde a infância. Ele garante ser um prazer enorme registrar as suas origens e se orgulha muito de ser natural da pequenina cidade do sudeste goiano, Cumari. Ele narra que seu pai, José Abrão, era descendente de libaneses. Seu avô habitou na cidade ainda em tenra idade, procedente de Trípoli, no Líbano. Sua mãe, Flora, era goiana de Catalão. A família de Jason Abrão tem uma história, uma afinidade com toda a região do sudeste goiano. Seu pai teve dois irmãos, Pedro Abrão, pai do ex-deputado Pedrinho e Abdalla Abrão, pai da senadora Lúcia Vânia, além de duas filhas mulheres que residem em Goiânia. Todos foram criados juntos, Lúcia e Jason fizeram o curso fundamental em Cumari na mesma época. Pedrinho nasceu em Goiânia. Sua família é pequena, embora existam muitas famílias ‘Abrão’ descendentes de libaneses. O clã de sua mãe é maior, os Silva Belo, de Catalão, tradicional e muito grande, quase todas as pessoas envolvidas com a terra como sitiantes, pequenos agricultores. São pessoas simples, mas benquistas em Catalão, Goiandira, Nova Aurora, Ouvidor e Três Ranchos. Sua mãe faleceu sonhando em voltar para Catalão, de onde saiu com 11 anos. Embora fosse afeiçoada a Cumari, sempre desejou que o marido voltasse para Catalão em virtude dos laços familiares. Essa a razão pela qual o prestigiado radialista gosta tanto dessa cidade e da região, e Catalão atualmente é um município de prestígio e foi muito bem governado nos últimos oito anos por um primo de Jason Abrão, o prefeito Adib Elias, que transformou a cidade com iniciativas audaciosas e progressistas. É sem nenhuma dúvida uma referência em progresso, economia e liderança política, sendo a cidade-pólo da região da Estrada de Ferro. Em Pires do Rio, que Jason faz questão de enfatizar ser sua segunda cidade, ele estudou no antigo Instituto Grambery, de 1957 a 1959. Jason gosta de descrever seus familiares: seus irmãos, Adma, Cleide e Pedro, também estudaram em Pires do Rio, para onde se transferiram em 1953. Ele tem uma grande afinidade por todas as cidades da região, como Pires do Rio, Urutaí, Ipameri, Goiandira, enfim, considera todas as cidades da região como uma grande família – a sua família.

Seus irmãos se encontram em Cumari. A primeira é Adma, advogada, viúva do Dr. Décio, criminalista conhecido e bem conceituado no Triângulo Mineiro. Depois vem Cleide, que foi prefeita da cidade por dois mandatos. O terceiro é o fazendeiro Pedro com o qual seu pai insistiu para que estudasse e se formasse, mas ele preferiu a lida com a terra, atividade a que se dedica até hoje. Jason é o seguinte. Segue-se irmão que é fiscal de rendas da Secretaria Estadual da Fazenda, Jacques. Depois é Jales, advogado e fazendeiro; por fim a caçula, Neide, casada também com um português, a exemplo de Cleide e seu esposo é fazendeiro em Cumari. Só Jason vive em Goiânia, à espera do momento oportuno de retornar para sua terra natal.

A esposa do radialista chama-se Hosana, sendo também natural de Cumari. Eles se conheceram ainda crianças, porque quando se mudaram da fazenda para a cidade, ambas as famílias tornaram-se vizinhas e assim os dois jovens praticamente foram criados juntos. Têm três filhos, sendo o primogênito Luciano, que foi radialista como o pai e hoje é advogado e professor universitário; o segundo é Anderson, piloto comercial nos EUA e a última é Vanessa, que vive com os pais em Goiânia.

No rádio
Com 11 anos Jason já estava nos corredores de uma emissora de rádio. Começou no alto-falante da Dona Chica, limpando discos e anotando os oferecimentos musicais. Ele recorda até hoje que seus colegas radialistas, quase sem exceção, começaram também no alto-falante, entre os quais J. Costa e Jerônimo Rodrigues, que ele considera o maior noticiarista do Brasil. Em seguida entrou efetivamente para o rádio, trabalhando na PRJ-3 de Araguari-MG. Com 11 anos já fazia nas pontas pequenos comerciais e daí para ter um programa próprio foi um passo. Começou muito menino e já completou mais de 30 anos só de Rádio Brasil Central, tendo estreado nessa emissora no dia 6 de setembro de 1971. Embora já tenha tido breves passagens por algumas outras emissoras, em todo esse tempo só esteve na Rádio Brasil Central. Jason Abrão em Goiânia jamais falou em outro microfone que não fosse o da RBC. Esteve antes na Rádio Educadora de Goiandira, juntamente com Geraldo Mariano, na Rádio Xavantes de Ipameri, na Rádio Cultura de Catalão, na PRJ3 de Araguari (MG) e na Rádio Danúbio de Cumari, uma emissora que sua família criou e que o regime militar implantado em 1964 fechou de uma forma arbitrária, violenta e até hoje os prejudicados estão tentando na Justiça reaver o prejuízo, pelo menos para compensar em o desaforo que sofreram com o trauma do fechamento da emissora.

Sempre que fala no assunto, o pensamento de Jason Abrão põe-se a vaguear pelo passado e ele conta que a emissora era uma das mais bem montadas do interior do Brasil, porque foi instalada com carinho, sendo uma propriedade da família, mas foi fechada abusivamente, bruscamente. Contudo, ele não guarda mágoa nem ressentimento pelo malfadado desfecho, porque considera que quando uma porta se fecha, muitas outras se abrem e para ele, em termos profissionais, o fechamento da Rádio Danúbio, que funcionou durante cinco anos, abriu novos horizontes. Fiel aos princípios religiosos, Jason tem consciência de que se devem tirar lições da adversidade e foi o que aconteceu com ele e seus irmãos, que, embora não fossem profissionais do rádio, estavam com ele naquele empreendimento, uma emissora bem montada, bem direcionada, com uma programação moderna.

Hoje Jason conta histórias da Rádio Brasil Central, porque nela ele tem trabalhado com muita gente, tendo começado com Moraes César, tendo sido uma espécie de capataz do célebre apresentador, juntamente com Amélio Alves e Gonçalves Lima; posteriormente trabalhou com Barrinha (da dupla sertaneja Silveira e Barrinha) durante seis anos, no programa Onde cantam os Campeões, embora já estivesse apresentando o programa Goiás Caboclo, que era diário, na onda tropical de 60 metros, direcionada só para o interior, depois passou para os sábados e domingos; posteriormente, há mais de 20 anos, aos domingos, das 7h às 10hs. Ao longo do tempo, Jason Abrão tem sido agraciado com vários prêmios de Melhor Programa Sertanejo do Brasil. Quem escolheu e colocou o nome de Goiás Caboclo nesse programa foi Amélio Alves, que não atua mais no rádio, sendo atualmente um dos advogados trabalhistas de maior credibilidade em Goiás. Amélio trabalhava com Moraes César e Jason apresentava seu próprio programa, No Ponteio da Viola, quando Amélio disse que aquele programa tinha uma cara de Goiás, uma cara de arroz-com-pequi, das coisas simples e por isso não poderia continuar com o nome que tinha, sugerindo então que passasse a se chamar Goiás Caboclo. Jason acatou a sugestão e a partir do dia seguinte fez a mudança, em 1978 e continua até os dias de hoje.

“... sem raiz não há tronco, nem caule, nem flor...”Jason se sente suspeito em falar qual a melhor dupla ou trio sertanejo do Brasil, porque ele defende com unhas e dentes a música sertaneja-raiz, raciocinando que sem raiz não há tronco, nem caule, nem flor e muito menos fruto. Assim ele poderia citar dezenas de duplas e trios que fizeram a música sertaneja no Brasil, como Raul Torres & Florêncio, Mariano & Cobrinha – uma das primeiras duplas a gravar a música sertaneja – Tonico & Tinoco – mais de 70 anos cantando – Zico & Zeca, Liu & Léu (esses são quatro irmãos que fizeram muito pela música sertaneja).

Além dessas tradicionais, verdadeiramente de raiz, Jason – com grande conhecimento de causa – fala de duplas mais modernas, e cita uma que ele considera como o divisor de águas da música sertaneja. Refere-se a Milionário & José Rico. Isto porque, até o aparecimento dessa dupla de sucesso, as pessoas da cidade tinham vergonha de ouvir a música sertaneja, não a ouviam em todo ambiente, nas camionetas de luxo. Só as pessoas mais velhas é que ouviam a música sertaneja, a juventude não ouvia e, quando gostava, ouvia às escondidas. Rapazes desligavam o rádio quando uma garota se aproximava, principalmente quando a música era de raiz. Filhos proibiam os pais de ouvirem, com receio de que vizinhos soubessem, porque o ato de ouvir música sertaneja era “coisa de roceiro”. Mas, com o surgimento da dupla Milionário & José Rico, as pessoas passaram a ouvir música sertaneja descontraidamente, sem preconceito. Muitos sucessos são ainda lembrados, como Estrada da Vida, Jogo do Amor e tantos outros da dupla que passaram a rodar nos veículos, nos bares... Por isso Jason considera a dupla Milionário & José Rico de muito valor, pelo fato de ter restaurado o gosto popular pela música sertaneja, que foi expandido, atingindo a todos, sem distinção de classe e origem social, quebrando preconceitos.

“... nada acontece neste mundo sem uma razão”Jason Abrão pode ser considerado como o maior conhecedor da música sertaneja que pontifica em Goiás. E, do alto desse conhecimento, ele gosta de contar uma história que diz respeito a um casal de irmãos muito querido em Goiás e no Brasil.

Ele conta que a grande maioria das pessoas desconhece a origem da dupla de muito sucesso Sandy & Júnior e a razão pela qual os dois jovens têm esse dom natural de tocar e cantar, de fazer festa, de fazer música, de fazer pagode. Eles são filhos do cantor Xororó, cuja esposa é filha de Mariazinha, que foi esposa e fez dupla com o também cantor Zé do Rancho. Eles são netos de Zé do Rancho & Mariazinha, que formaram o Duo Glacial. Mariazinha é filha de Serrinha, que fez dupla com Caboclinho, o qual tem uma história, foi um dos primeiros artistas a gravar música sertaneja e há uma particularidade muito importante, uma curiosidade. Serrinha tocava todos os instrumentos conhecidos, piano, violino, viola, qualquer que se colocasse em suas mãos. Morreu idoso. Fez mais de dez duplas, mas ficou conhecido nacionalmente cantando com Caboclinho, que era seu irmão. Depois a filha de Serrinha se casou com Zé do Rancho e então ele foi cantar com o genro. Juntos, os dois gravaram vários discos e fizeram shows por todo o Brasil. Por isso Jason afirma que, “na música, como na vida, nada acontece por acaso”, digressando sobre a carga de antecedentes artísticos herdada pelos jovens que encantam o Brasil.

Música & linguagem sertanejaNo seu programa de grande audiência por todo o Brasil, Jason fala sempre com absoluta convicção que a música e a linguagem sertaneja são universais. Ele entende do assunto com profundidade. Ele entende que as pessoas, independentemente do local onde moram, dos seus costumes, de suas raízes, de suas tradições, gostam da música sertaneja. No Nordeste a música predominante é o forró, no entanto, centenas de milhares de pessoas de toda a região são ouvintes e acompanham o programa Goiás Caboclo durante a vida toda. Têm um extraordinário conhecimento da música sertaneja de raiz e se comunicam permanentemente, assim como ouvintes do Paraguai, da Bolívia, do Uruguai, enfim, de quase todos os países sul-americanos. Embora a Rádio Brasil Central seja sintonizada no mundo inteiro, é nos países de língua espanhola, principalmente nos hispano-americanos, que ela tem uma audiência maciça, admirável.

Jason Abrão considera-se um homem muito feliz e fala isso com uma sinceridade emocionada. Diz mais, que é um abençoado, iluminado, porque faz o que gosta, dirigido para quem ele gosta, para quem o entende. Para ele o seu programa é curto, são três horas que passam com uma grande velocidade. Simultaneamente ele fala com as pessoas, as pessoas falam com outras pessoas. De repente o programa termina e Jason já fica com saudade para só voltar depois de oito dias.

*Hélio Nascente, editor da Anápolis TV Digital.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

ELIEZER PENNA: A ASCENSÃO DE UM PAULISTA EM GOIÁS


Hélio Nascente*

Eliezer Penna: a ascenção de um bandeirante do século XX na vida profissional e política em Goiás. ELIEZER JOSÉ PENNA é filho de José Penna e de Virgília Penna. Nasceu na cidade paulista de Taquari no dia 8 de agosto 1925. Viajou para Goiás em 1949 com o fito de realizar uma reportagem, tomou-se de paixões pela cidade e por uma jovem local. Cravou e fixou raízes e nunca mais deixou a Capital goiana.

Eliezer Penna começou a vida na sua terra natal, cursou o Ginásio (Ensino Fundamental) em Itapeva e em Avaré, cidades vizinhas e melhor servidas de estabelecimentos de ensino, depois buscou o Rio de Janeiro, onde se formou e onde fixou residência por algum tempo; acalentava o desejo de trabalhar no rádio na antiga Capital da República, porém um ano depois preferiu retornar às garoas das suas origens, indo para a Paulicéia, onde passou a residir e trabalhar.

Seu primeiro passo em São Paulo foi desistir do sonho de ser radialista. Dedicou-se à imprensa escrita. E aí sua ambição não foi pequena: desejava trabalhar no jornal Folha da Manhã, mas teve de se contentar em começar numa publicação modesta, órgão politicamente engajado, com orientação esquerdista, o jornal Hoje, dirigido por Joaquim Câmara Ferreira, que anos depois viria participar de movimentos políticos armados, com o cognome de Toledo, durante o período do regime militar implantado em 1964, o que o levou a ser morto sem mesmo ter sido preso. Eliezer considerava seu superior excelente jornalista e tem dele ótimas lembranças. Hoje tinha como chefe de redação o judeu Noé Gertel, e como chefe de reportagem uma pessoa possuidora de ligações familiares em Goiás, de quem Eliezer se lembra apenas do sobrenome Marques.

Deixando seu primeiro trabalho, galgou o segundo degrau da sua longa e profícua vida de jornalista profissional, passando a trabalhar no jornal diário O Dia, pertencente ao grupo político liderado pelo então governador de São Paulo e destacado homem público, Adhemar de Barros. Esse fato não era do conhecimento público, mas os funcionários tinham ciência dele porque, embora o governador Adhemar jamais houvesse ido à empresa jornalística, a orientação política era de apoio incondicional a ele.

Mais tarde Eliezer, como prêmio por sua dedicação e competência profissional, além de ser possuidor de um caráter firme e exemplar, ingressou na Folha da Manhã, alcançando assim um objetivo traçado e buscado com persistência inquebrantável. Até hoje (2008) ele guarda em seu arquivo pessoal matéria política assinada na primeira página, enviada de Goiás.

Mudança e trabalho em Goiás
O jornalista fez sua transferência de São Paulo para Goiás ainda jovem, mudança de vida promovida com audácia, mas com o entusiasmo próprio da juventude e estribado na confiança em sua capacidade profissional. Vivia-se o final da década de 1940, e Eliezer sentia a presença em São Paulo de uma discreta falta de liberdade, principalmente para quem trabalhava na imprensa, porque pouco antes, em 1947, houvera a ruidosa cassação dos mandatos eletivos dos comunistas em todos os níveis – começando pelo senador Luiz Carlos Prestes – e ato contínuo teve início uma repressão contra a esquerda brasileira durante o Governo do presidente Eurico Gaspar Dutra, e os antigos militantes do Partido Comunista do Brasil (mais tarde Partido Comunista Brasileiro) sentiam velada, porém intensa dificuldade de trabalhar nas empresas jornalísticas.

Eliezer tinha um amigo e conterrâneo, de Avaré, chamado Novaes, que fora deputado federal e era chefe de redação do jornal Correio Paulistano. Em época de calmaria política esse amigo poderia tê-lo convidado para trabalhar, mas a publicação era uma das mais conservadoras de São Paulo, o que impediu que isso acontecesse. O jovem jornalista estava sempre em contato com o velho amigo e um dia este o fez entender que gostaria que Eliezer trabalhasse no jornal, mas em conseqüência do problema político, a direção levava em conta a tendência ideológica do provável colaborador, não vendo com bons olhos a presença de um esquerdista nos seus quadros.

Já trabalhando na Folha da Manhã, surgiu a oportunidade de Eliezer Penna viajar para Goiás a fim de fazer cobertura jornalística da Exposição Agropecuária de Goiânia, que naquele tempo já estava despontava como um dos empreendimentos de vulto nacional. O prazo previsto de permanência do repórter em Goiás era de no máximo uma semana, quando deveria retornar a São Paulo, mas o destino do jovem estava selado. Ele gostou tanto de Goiânia, sentiu nela uma cidade de futuro, tendo apenas 55 mil habitantes, mas com um crescimento acima da média das outras cidades brasileiras. Corria o ano de 1949. Governava o Estado o engenheiro Jerônimo Coimbra Bueno. Eliezer desembarcou na cidade exatamente no dia 18 de junho, e, assim que passou a respirar o ar local, a sentir o clima, a conversar com as pessoas e sentir a hospitalidade da população, começou a pensar se Goiânia não seria a cidade ideal para dar início a uma vida nova, porque ele não era conhecido no local, não era alvo de restrições políticas nem de ordem pessoal. Além disso, estava sendo tratado com muita fidalguia, entabulou amizade com a equipe de funcionários da estalagem em que se hospedara – o Hotel Itajubá, localizado na Praça Antônio Lisita – e imediatamente conheceu uma jovem por quem se enamorou, ambos no ardor da juventude, e assim teve início o namoro.

Com a conjugação de todos esses fatores, tendo acabado de chegar em Goiânia, Eliezer, com apenas 24 anos de idade, rapidamente pensou e foi amadurecendo a idéia de permanecer e não perdeu tempo. Enquanto fazia a cobertura jornalística da Exposição Agropecuária, empreendeu uma visita à redação da Folha de Goiás, o órgão dos Diários Associados, grupo de comunicação com o qual já colaborara em São Paulo, no jornal Diário da Noite, como freelancer.

A visita aos Diários Associados não poderia ter sido em momento mais propício às pretensões de Eliezer, pois ocorreu quando o diretor do diário, Aloísio Sayol de Sá Peixoto, acabara de ter sério desentendimento com o editor, então demitido, surgindo assim uma vaga, que pareceu estar esperando a chegada de Eliezer. Foi como a mão encaixar-se na luva no momento certo. Sá Peixoto perguntou ao moço sentado à sua frente se ele não teria vontade de ficar em Goiás. A resposta foi rápida e fulminante:

– Quem que não tem? Acho que o Brasil todo tem, está caminhando para o Centro-Oeste!

Eliezer lembrou-se instantaneamente da célebre frase do grande estadista brasileiro do Século XX, Getúlio Dornelles Vargas, que a pronunciara pouco tempo antes no sentido de que naquele momento histórico a verdadeira brasilidade era a “Marcha para o Oeste”, pensamento que o jovem paulista assimilara na plenitude. Acrescentou sentir que estava na mesma rota dos bandeirantes antigos.

Tendo a conversa preliminar desaguado nesse ponto positivo, favorável a ambos – ao diretor, que necessitava com urgência de um profissional competente para ocupar a vaga, e ao jornalista, que desejava permanecer em Goiânia – Sá Peixoto indagou de Eliezer, discretamente, se ele gostaria de fazer uma matéria para o jornal, com o que, na realidade, ele desejava testar as qualidades do jovem. Estava programada para acontecer uma importante solenidade no Palácio das Esmeraldas, sede do governo estadual, e assim Eliezer teve como incumbência comparecer ao evento e fazer matéria completa sobre o mesmo.

Missão cumprida à risca. A matéria foi feita nas especificações pedidas e devidamente datilografada. O diretor leu, percebendo que não estava enganado, que o jornalista tinha talento e experiência, propondo-lhe em seguida:

– Você está convidado.

Convite prontamente aceito com incontida euforia, faltava apenas o acerto de salário, sistema de trabalho e outros detalhes, o que foi feito e Eliezer pôde assim dar início ao seu trabalho em Goiás, com imenso entusiasmo, começando uma vida de vitórias em todos os sentidos.

A paga proposta era compensadora. O trabalho, dignificante, porque Eliezer Penna já iniciaria por cima, como radator-chefe. Em São Paulo ele era chefe de reportagem. Em Goiás seria chefe da redação, comandando o setor com uma equipe completa, dos Diários Associados, uma empresa de âmbito nacional, de grande repercussão.Permaneceu na Folha de Goiás por dois anos.

Após oito meses de trabalho, Eliezer deu mais um passo importante na sua ascensão na vida, casando-se com a jovem Aracy Taveira, de grada família oriunda da tradicional cidade de Niquelândia.

Assim, com o encadeamento de diversos fatores, Eliezer Penna fixou-se definitivamente em Goiás. Enraizou-se em profundidade. Sentiu fazer parte de uma tendência de muita gente do sul de se dirigir para o norte, desde o tempo dos bandeirantes, ocupando a hinterlândia brasileira. No início da colonização dos espaços vazios do centro e do norte, os paulistas e mineiros empurravam o gado, que empurrava o índio, por isso os silvícolas foram mais para o mato cada vez mais distante e a população oriunda do sul trouxe o gado para ocupar, povoar e civilizar o centro e o norte.

Concomitantemente com o trabalho na Folha de Goiás, Eliezer acumulou função na assistência noticiosa no Palácio das Esmeraldas, a convite do então governador Jerônimo Coimbra Bueno, que passou para a história como um péssimo administrador, tendo tratado o funcionalismo público estadual com desídia, atrasando o pagamento por meses seguidos e viajando muito, permanecendo pouco à frente do Executivo goiano. Mas Eliezer Penna foi testemunha viva e ressalta um importante ponto positivo na administração a que serviu e faz justiça ao então governador: na questão da pecuária, a grande vocação econômica de Goiás, Jerônimo Coimbra Bueno tomou a iniciativa de implantar uma inovação, que foi muito combatida pela oposição, trazendo gado de Uberaba, chamado Tourinhos VR, denominação derivada de Vicente Rodrigues da Cunha, de quem ele adquiriu e remeteu para o norte do Estado, porque na região existia tão somente o gado curraleiro, de pequeno porte, desprovido de valorização comercial.

No jornal O Popular
Ao final de dois anos de trabalho na Folha de Goiás, Eliezer recebeu convite do jornalista e empresário Jaime Câmara para prestar serviços ao jornal O Popular. Achando a proposta tentadora, aceitou de pronto, embora o jornal fosse bi-semanário, mas ele, com sua contumaz audácia, afirmou ao empresário que seria bom que transformasse o jornal em diário. Câmara conhecia muito bem a experiência de Eliezer na Folha de Goiás, e estava ciente de que ele trabalhava com uma absoluta estabilidade, capacidade e com resultados, que já exercera chefia de reportagem no jornal Hoje, em São Paulo, no comando de 16 repórteres. O empresário, para surpresa do jornalista, disse que era exatamente para isso que desejava que Eliezer fosse trabalhar com ele, isto é, para fazer com que O Popular saísse diariamente.

Essa mudança de Eliezer Penna para o jornal O Popular e sua conseqüente transformação em diário ocorreu em 1952. O jornalista, nas suas memórias, não se esquece de fazer justiça a dois nomes que o auxiliaram com loquaz colaboração, viabilizando a nova periodicidade do jornal: Isorico Barbosa de Godoy e seu irmão Eurico Calixto de Godoy, que ele considera pessoas de relevo na história de Goiás.

Mas as inovações implantadas no jornal O Popular por Eliezer não ficaram só na sua transformação em diário. Ele conseguiu implantar outras melhorias revolucionárias na imprensa goiana. A primeira fotografia colorida publicada num jornal de Goiás foi em O Popular, a imagem de uma mulher de maiô, Marta Rocha, a miss Goiás e miss Brasil que fora segunda colocada no concurso de miss Universo. Ela só não foi a primeira porque deveria ter perdido umas duas polegadas, apesar de ser um tipo de beleza original, morena de olhos azuis, filha de um alemão com uma mulata da Bahia.

Mas o fato é que, quando tomou conhecimento da matéria com uma mulher de maiô na primeira página do seu jornal, Jaime Câmara quase teve um faniquito, lembra Eliezer, porque o órgão era conservador, porta-voz de uma sociedade conservadora! Mas a foto foi um sucesso pleno e a sociedade aplaudiu a novidade. O diretor, que tinha certas restrições à modernidade que Eliezer estava introduzindo no jornal, passou a dar-lhe incondicional apoio e é por isso O Popular é, nos dias de hoje, o mais importante jornal de Goiás.

Por essa época o jornal era impresso numa máquina gráfica transferida juntamente com a empresa para a nova Capital muito tempo antes, já que o jornal surgiu ainda em Goiás, a velha capital do Estado (Goiânia fora inaugurada em 1935).

Eliezer Penna, jovem, idealista, dinâmico e modernizador, sentiu então, com o jornal sendo diário, a necessidade da modernização do parque gráfico, para o que se fazia mister a compra de uma nova e moderna impressora e a oportunidade surgiu quando chegou a Goiânia um vendedor de máquinas gráficas. Eliezer dirigiu-se ao empresário Jaime Câmara, explicando a necessidade de uma máquina nova e reivindicando a aquisição da Fokhentar, importada da Alemanha, porque a existente estava superada, imprimia de duas em duas páginas, mas Jaime Câmara achou que a máquina era muito dispendiosa e declinou da compra.

Porém o tal vendedor visitou o jornal O Social, cujo proprietário era José Ludovico de Almeida, conhecido como Juca e futuro governador do Estado, o qual adquiriu a dita máquina. Sabedor da transação do concorrente, Eliezer relatou o fato a Joaquim Câmara Filho, lembrando que O Social iria dar um salto de qualidade, porque, embora fosse um jornal semanal, não deixava de ser um concorrente, e também porque era o porta-voz do Partido Social Democrático. Câmara Filho, irmão mais velho do diretor e dono de uma grande visão jornalística, demonstrou interesse na aquisição e então houve uma reunião entre os três irmãos, Joaquim, Jaime e Tasso Câmara, e eles deliberaram imediatamente a realização da compra. O vendedor foi procurado no hotel em que estava hospedado e disse a Jaime Câmara que a máquina, no dia anterior custando 250 mil cruzeiros, no dia seguinte já valia 400 mil, isto em conseqüência de problemas de importação, mas Jaime quis assim mesmo e fez a encomenda. Essa máquina se encontra até hoje nas oficinas do jornal, em operação. Diz-se que O Popular é um dos jornais que têm os melhores equipamentos do País, que poucos jornais possuem estrutura igual.

Nesse período o jornalista teve a oportunidade de participar de incontáveis eventos que depois ficariam marcados para sempre nos anais da história de Goiás e do Brasil e cita como exemplo um fato que jamais será olvidado, porque está registrado na imprensa e em fotografia existente no arquivo do Congresso Nacional. Foi quando o recém-empossado presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira aterrizou no sítio onde viria a ser construída a nova capital da República. No momento em que o presidente desceu a escada do avião, Eliezer estava lá e foi assim o primeiro jornalista a entrevistar Juscelino quando ele pisou no solo da futura Brasília, exatamente no dia 2 de outubro de 1956. Eliezer estava acompanhado pelo fotógrafo Hélio de Oliveira, o legendário profissional goiano que fez as fotos para o importante registro histórico.

Eliezer permaneceu no jornal O Popular de 1952 a 1958, quando José Feliciano o convidou para coordenar sua campanha ao Governo do Estado. Solicitou licença ao jornal e dedicou-se ao desempenho da nova e diferente tarefa, que iria abrir-lhe novos e vastos horizontes na vida.

A célebre entrevista com Juscelino
Um dos trabalhos jornalísticos que mais consagraram Eliezer Penna foi sem dúvida a entrevista com o presidente Juscelino Kubitschek, realizada no dia 2 de outubro de 1956 em pleno cerrado onde seria construída a nova capital da República e publicada no jornal O Popular nos dias 3 e 4 do mesmo mês.

O jornalista saiu de Goiânia de automóvel, acompanhado do fotógrafo Hélio de Oliveira com destino ao sítio às 19h30 da véspera e viajou a noite toda por estradas de terra e teve peixe frito como primeira refeição num posto do Dergo, antigo Departamento de Estradas de Rodagem de Goiás. Às 11 horas já estava a postos no aeroporto improvisado construído pelo engenheiro Bernardo Sayão.

JK chegou de avião precisamente às 12 horas, antes da aeronave que transportava os repórteres da imprensa nacional e por isso, ao se apresentar para a entrevista, Eliezer ouviu de JK a espantada expressão:

– Tem jornalista aqui, já?

A comitiva do presidente era composta de cerca de 30 pessoas, entre as quais o ministro da Guerra, marechal Henrique Duffles Teixeira Lott, o presidente da Novacap, Israel Pinheiro e o arquiteto Oscar Niemayer. Estavam presentes também o governador de Goiás, José Ludovico de Almeida, o presidente da Comissão de Desapropriação, Altamiro de Moura Pacheco e outras autoridades.

À sombra da estação improvisada do aeroporto, coberta por folhas de bacuri, teve início a entrevista, com Eliezer perguntando ao presidente qual foi a sua impressão do local onde seria edificada a nova capital, visto do avião. A resposta foi exatamente:

– Uma vasta planície, deserta e solitária!

Acompanhando o presidente durante as quatro horas seguintes, Eliezer foi testemunha de fatos interessantes, como a assinatura do decreto substituindo o ministro da Saúde e o insólito pedido de um cacique político do Sudoeste de Goiás, pedindo a Juscelino que transferisse um médico da cidade para outro lugar, porque era seu desafeto político. Se o pedido foi ou não atendido, não se sabe.

Episódio de 5 de março de 1959
Em 1959 aconteceu uma crise que abalou o Governo José Feliciano, assunto nunca mais esquecido, sobretudo pelos meios estudantis e políticos de Goiás. Foi por causa da data do ocorrido que surgiu o jornal com o nome de Cinco de Março. Eliezer se encontrava no Rio de Janeiro, quando recebeu a notícia por meio de um telefonema, do que seria um fato grave, mas posteriormente o tempo foi esclarecendo. Não houve uma luta. Os estudantes da Capital queriam fazer um comício e a Polícia não permitiu e interferiu. Os jovens enfrentaram e a Polícia atirou. A única bala que teve endereço certo raspou a cabeça do estudante João Gualberto. O fato estava sendo muito explorado pelos adversários do Governo, e por isso Eliezer levou o jovem para ser funcionário da Secretaria, deu-lhe uma bicicleta para realizar serviços externos, mas ele fugiu com o pequeno veículo. Queriam prendê-lo, mas Eliezer ponderou o contrário, entendendo que, enquanto estivesse com a bicicleta, ele não retornaria. Foi a única vítima do qüiproquó. Como o episódio ocorreu no dia 5 de março e a União Democrática Nacional, o principal partido de oposição, estava fazendo enorme barulho para explorar o fato politicamente, surgiu o jornal com esse nome.

Vida pública
Assim, de profissional exclusivamente dedicado ao jornalismo, Eliezer Penna passou a ser o principal coordenador da campanha eleitoral de um candidato a governador, trabalho que foi coroado de êxito, já que José Feliciano foi eleito e formulou-lhe de chofre a pergunta:

– O que você quer no Governo?

Eliezer não teve resposta para dar. Como não respondeu, foi nomeado secretário da Justiça. Não foi sem grande surpresa que recebeu a notícia, sendo uma pessoa que tinha chegado ao Estado havia apenas sete anos, ascender tão rapidamente ao cargo de secretário de Estado da Justiça! Foi uma grande vitória que Eliezer capitalizou literalmente, permanecendo no cargo durante os dois anos de mandato de José Feliciano. Em 1960 o ex-governador assumiu a presidência do Banco do Estado de Goiás, na gestão do governador Mauro Borges e Eliezer passou a ser assessor do presidente da instituição bancária.

A campanha de JK ao Senado
Em 1961, estando o ex-presidente Juscelino Kubitschek sem mandato – entregara o cargo de presidente para Jânio Quadros – houve um clamor para que o grande mineiro fosse eleito senador por Goiás, como um preito de gratidão por ele ter edificado Brasília em solo goiano, beneficiando imensuravelmente todo o Estado. Uma vez candidato, foi aberto o comitê eleitoral. Mais uma vez Eliezer Penna foi convocado a cumprir importante missão, a de coordenador da campanha. A eleição era para eleger o ex-presidente e isso só foi possível com a renúncia do senador Taciano Gomes de Melo, um médico potiguar que migrara para Pires do Rio nos anos 20 e onde fizera vitoriosa carreira política, alçando-se a cargos de relevância no Estado de Goiás, tendo sido presidente da Assembléia Legislativa e da Assembléia Estadual Constituinte, em 1947. Mas não bastava a renúncia do titular da cadeira, era necessário o afastamento do suplente, que também era uma das eminências políticas de Pires do Rio, Péricles Pedro da Silva, que desistiu de assumir o mandato. Com isso ficou vaga uma das três representações goianas na Câmara Alta e a Justiça Eleitoral convocou essa eleição “solteira”. O candidato a suplente de JK foi o ex-governador José Feliciano Ferreira, que, em 1962, foi também eleito senador. Houve um acordo entre os grandes partidos políticos no Estado para que a eleição de Juscelino fosse pacífica.

A campanha estava se desenvolvendo muito mal no início, porque o ex-presidente importara de Minas Gerais assessores alheios à realidade, às minúcias políticas de Goiás, e, num dia em que ele estava almoçando no Hotel Bandeirante, a hospedaria mais importante na época, ele perguntou ao deputado Paulo Roberto, de Ceres, e a Ulysses Jayme, seu advogado particular em Goiás, como estava se desenvolvendo a campanha, momento em que o deputado respondeu que iria falar a verdade e afirmou que os trabalhos não estavam bem orientados, que o comitê estava cheio de “picaretas” à cata de tomar dinheiro, enquanto os verdadeiros líderes políticos estavam marginalizados, eram na sua maioria pessoas muito simples, humildes e até tímidas. A solução apontada era colocar alguém de Goiás à frente da campanha e Ulysses Jayme indicou o nome de Eliezer Penna, dizendo que ele seria capaz de conduzir a campanha a contento, argumentando como prova o vitorioso pleito de José Feliciano em 1958, que fora coordenado pelo jornalista. Naquele momento um assessor de Juscelino, Sinval Siqueira, disse que já tinha ouvido falar naquele nome, mas que ele se encontrava ausente, tendo viajado para São Paulo em virtude da doença de seu pai.

Assim que retornou recebeu recado de JK e se dirigiu incontinenti ao Hotel Bandeirantes, encontrando o ex-presidente deitado com uma coberta a cobrir-lhe o ventre e formulou-lhe o convite para que comandasse sua campanha. Entusiasmado diante de mais essa importante perspectiva, de mais esse desafio, Eliezer se pôs à disposição e Juscelino encarregou o assessor Sinval de, a partir do dia seguinte, entregar ao novo chefe da campanha a cadeira do comitê, determinando que se fizesse tudo como Eliezer desejasse. Assim, o jornalista tomou posse no comitê, com o cuidado de não melindrar as pessoas que já se encontravam lá e deu início imediato ao trabalho.

Surgiu, porém, um imprevisto. A eleição deveria ter Juscelino como candidato único, mas surgiu outro postulante, uma outra chapa, tendo como candidato a senador Wagner Estelita Campos e como suplente Waldir de Castro Quinta, sem a menor perspectiva de vitória, registrada pelo minúsculo Partido Democrata Cristão. As expectativas se confirmaram com a eleição de Juscelino Kubitschek de Oliveira para um mandato tampão de curta duração, que se expiraria em 1966, já que o senador renunciante fora eleito em 1958, para cumprir oito anos. Mais tarde, com o golpe militar de 1964, Juscelino teve seu mandato cassado pelo chefe da Junta Militar, Castello Branco, e Goiás ficou com apenas dois representantes no Senado até a realização da eleição regulamentar, em 1966, quando foi eleito João Abrão para completar o tempo. JK foi eleito e no dia 29 de dezembro de 1961 com o apoio de todos os partidos políticos, grandes e pequenos, com exceção do PDC.

O último ato como assessor na importante missão foi quando, após a apuração dos votos, com JK já na condição de senador eleito, telefonou a Eliezer do Rio de Janeiro dizendo-lhe que fizesse uma nota à imprensa, agradecendo o eleitorado goiano que o elegera e mais duas notas agradecendo os líderes políticos e os motoristas de um modo geral, o que foi feito imediatamente. O então diretor do jornal O Popular, Jaime Câmara, nada cobrou pela publicação, afirmando ser impossível cobrar do ex-presidente da República.

Eleito deputado
Em seguida, no ano de 1962, quando haveria eleições para a renovação das assembléias legislativas, da Câmara dos Deputados e dois terços do Senado, além das câmaras municipais, Eliezer candidatou-se a deputado estadual e foi eleito, tendo feito sua campanha com o apoio político de Feliciano, porém sozinho. Nesse período o governador de Goiás era Mauro Borges, da mesma grei política do deputado, que, entretanto, pertencia ao grupo do ex-governador Feliciano e assim não era considerado de dentro do grupo Mauro, embora tivesse perfeito entrosamento com o senador Pedro Ludovico, pai do governador e principal líder político de Goiás. Além disso, Eliezer via em Dr. Pedro uma personalidade de grande valor, respeitava-o por sua cultura e conversavam muito, freqüentava regularmente a sede do PSD, do qual o senador era presidente regional e assim tinham uma convivência estreita e cordial.

Superintendente do Cerne
O momento histórico era de conturbação em todo o Brasil, advindo daí a chamada revolução de 1964, que passou para a história como golpe militar. Logo após esse acontecimento, o mandato de senador de Juscelino Kubitschek foi cassado e ele teve seus direitos políticos suspensos por dez anos, assim como os ex-presidentes João Goulart e Jânio Quadros e inúmeros líderes políticos de todas as tendências, porque os militares pretendiam governar sozinhos.

Na visão do então deputado Eliezer Penna, o Governo Mauro Borges se caracterizou pela criação de muitos órgãos de grande valor histórico, cuja importância foi a de catapultar o Estado da situação de marasmo para a condição de estrela brilhante entre as demais unidades da Federação. Ele cita a Indústria Química de Goiás – Iquego – o Consórcio Rodoviário Intermunicipal – Crisa – e muitos outros. Eliezer tem uma lembrança particular do Cerne, o importante órgão de comunicação estadual criado pelo governador Mauro Borges, porque mais tarde veio a dirigi-lo. O órgão era constituído pela Rádio Brasil Central, Gráfica de Goiás, jornal Diário de Goiás, Agência Goiana de Propaganda, Diário Oficial do Estado, além de outras empresas que formaram o Consórcio Estadual de Radiodifusão e Notícias do Estado de Goiás.

Após o movimento militar, o líder do grupo político a que pertencia Eliezer, senador José Feliciano, convidou os companheiros e disse que aquele movimento não fora desencadeado para durar pouco tempo e, caso eles desejassem continuar com Mauro Borges, ficavam livres para fazê-lo e comunicou que ele próprio iria fazer parte da Arena, o partido destinado a dar respaldo aos atos dos militares. Assim, fiel ao governador a quem servira no passado, o deputado tomou a decisão de acompanhar Feliciano e não hostilizar o governo militar, abster-se nas votações decisivas, já que o governador Mauro Borges, nessas alturas havia sido deposto.

Em 1965 foi eleito Otávio Lage para o Governo e Eliezer foi convidado para assumir a Secretaria de Imprensa, tendo desempenhado a missão com competência e profissionalismo.

Em 1967 expirou o mandato de deputado de Eliezer e ele serviu ao Governo Otávio Lage até 1971, quando assumiu o novo governador, Leonino Caiado, que o convidou para o cargo de superintendente do Cerne, missão que cumpriu também com galhardia durante seis meses, quando o governador o convocou para comandar três assessorias no Palácio das Esmeraldas: de Imprensa, de Relações Públicas e uma econômica, relacionada com o setor de imprensa. Lá novamente ele prestou bons serviços, guardando na lembrança o fato de que Leonino fez um governo pacífico, que não perseguiu nem hostilizou ninguém e produziu muito, foi realizador. Para ele, Leonino Caiado é uma pessoa de temperamento calmo e na época do seu Governo ele tinha a preocupação de manter um bom relacionamento com a imprensa.

A morte de Juscelino
Eliezer foi o primeiro jornalista a noticiar a morte de Juscelino Kubitschek. Ele estava na chefia de redação do jornal semanário Cinco de Março, quando recebeu a notícia do acidente e que JK havia falecido. E como o jornal circulava às segundas-feiras, enquanto os diários brasileiros só circulavam até domingo, foi o semanário goiano o primeiro jornal do País a divulgar a notícia. O acidente ocorreu num domingo, às 23h30 do dia 22 de setembro de 1976.

Família
O grande profissional da imprensa tem orgulho e sua expressão se descontrai ao falar de sua família. Ele conta ter chegado em Goiânia no dia 18 de junho de 1949 e repete sempre ter conhecido de imediato a musa da sua vida, casando-se poucos meses depois. O casal teve quatro filhos que se multiplicaram, e hoje a família Penna é formada de mais onze netos, além de genros e noras, concluindo que o casamento foi uma união abençoada por Deus e que frutificou.

O patriarca tranqüilo narra uma coincidência interessante sobre sua família, fato que ele faz que questão de frisar. Trata-se do fato de que ele chegou em Goiânia no dia 18 de junho de 1949, exatamente no dia em que vinha ao mundo, em Uberaba-MG, um garoto que mais tarde viria para Goiânia, ficaria conhecendo uma sua filha e com ela se casaria, sendo hoje seu genro e pai de seus netos!

Pirituba, a terra natal
Eliezer fala também com muito entusiasmo e saudosismo sobre sua terra natal e seus pais. Ele disse que seu pai, José Penna, era natural da pequena cidade paulista de São Pedro, próxima a Piracicaba. Recebendo o diploma de farmacêutico em Itu, foi viver na comunidade de Taquari, onde conheceu a filha do líder político local, Virgília, com quem se casou. Seus avós foram os fundadores do pequeno povoado e seu pai, herdando as influências políticas do sogro e aplicando seus dotes de liderança – era farmacêutico e fazia as vezes de médico – fez amizade com o líder político da região nos idos da República Velha, Ataliba Leonel, e a uma certa altura comunicou-lhe que desejava a emancipação política do povoado. Foi prontamente atendido, recebendo apenas a incumbência de formalizar o processo e o pedido, de conformidade com a lei vigente, o que José Penna providenciou imediatamente. Ao levar o processo para o senador encaminhar na Capital paulista, este folheou os papéis, achou tudo conforme, mas disse que faltavam duas fotografias da cidade, sem o que não seria possível encaminhar o processo. Nesse instante José Penna, triste, disse ao senador que, caso incluísse as fotografias a emancipação não poderia ser aprovada, já que a cidade era muito pequena, tinha apenas duas ruas. O matreiro líder político Ataliba Leonel o tranqüilizou, dizendo que tal detalhe não seria empecilho e sugeriu ao interessado que tirasse as fotografias na própria cidade do senador, Piraju, não do centro, mas de ruas novas. Assim foi feito e a emancipação foi aprovada sem a menor dificuldade. Mais tarde o nome da cidade foi mudado para Taquarituba, que significa na linguagem indígena "taquara pequena e doce". José Penna foi nomeado primeiro prefeito e posteriormente eleito para mais um período. Faleceu em 1966.

Eliezer faz questão de narrar que o município onde nasceu tem relevância como produtor agrícola, já chegou a ser o maior produtor de milho do interior de São Paulo e de lá saiu até o milho de que é fabricado o uísque Drurys, com fábrica em Sorocaba e atualmente produzido também em Barra do Garças-MT.

Literatura
Além de vitoriosa carreira profissional como jornalista em Goiás e da intensa participação na vida pública como assessor, secretário de Estado, dirigente de órgão público e deputado, Eliezer Penna enveredou com brilhantismo pelas sendas da literatura, atingindo o ápice como integrante da mais alta e grada entidade representativa dos escritores do Estado. É membro da Academia Goiana de Letras, onde ocupa a cadeira de número 5, tendo sucedido ao escritor Xavier de Almeida. Tem dois livros publicados e mais três “no forno”, sendo um sobre sua terra natal, um sobre fatos políticos de Goiás e o último que aborda assuntos gerais. Foi presidente e é membro do Conselho Deliberativo da Associação Goiana de Imprensa-AGI; em 2007 foi reeleito presidente da entidade, para um mandato de dois anos. Considera-se "pioneiro de Goiânia e de Brasília". É religioso, freqüentando regularmente a Igreja Batista.

Conceito
O octogenário patriarca Eliezer Penna é extremamente preocupado com a situação do Brasil de hoje e particularmente com a cidade onde vive com sua família. Para ele, Goiânia, pela sua posição geográfica, sendo uma cidade com mais de um milhão de habitantes, está atraindo milhares e milhares de pessoas de estados mais pobres, sobretudo do Nordeste, em parte em conseqüência da campanha realizada pelo ex-governador Maguito Vilela de dar comida, pão e leite. Essas pessoas convergiram para a cidade na ilusão de que teriam pelo menos a alimentação, mas na realidade todos necessitam não só de alimentação, mas também de emprego duradouro.

“O que dá dignidade ao trabalhador é o trabalho,
é ter o pão de cada dia, ganho por ele”.
(Eliezer Penna).

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

RODRIGO MACHADO, MOÇO E VIRTUOSO, TROCA DE IDADE

Moço e virtuoso. Assim pode ser definido com justeza e com justiça o aniversariante de hoje das cidades de Vianópolis e Anápolis, Rodrigo Machado. De Vianópolis, porque essa é sua terra natal, sua pequena mas ardente pátria, onde nasceu, passou a infância, onde tem seus familiares e os amigos primeiros... Vianópolis é uma terra venturosa, e venturoso é Rodrigo Machado por ter nascido ali, naquele torrão feliz, lugar de gente boa e de mulheres bonitas, virtuosas.

Mas Rodrigo pertence também a Anápolis, porque esta é a cidade aonde ele vai diuturnamente, de segunda a sexta-feira, em busca de mais saber. Especificamente à Faculdade de Direito Raízes, onde cursa o terceiro período, sendo aluno destacado não só pelas boas notas, mas pelo comportamento. E também pela facilidade de construir amizades sólidas e duradouras.

Porque Rodrigo Machado é um amigo.

Solteiro, não sabe o que fazer de tantas moças admiradoras, fãs, pretendentes à sua mão...

Enfim, um grande camarada.

Parabéns, Rodrigo, pelo transcorrer do seu anversário.

Tenha um “niver” feliz, mais um ano profícuo ao lado das pessoas que você ama.

*Virtuoso,
Que possui e cultiva qualidades de virtude ('moral, religiosa, social etc.')
Ex.: <é um monge v.>

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

UM BREVE RETRATO DE RODRIGO LUIZ JAYME: delegado de Polícia, tocador de violão e cantador!


Dr. Rodrigo Luiz Jayme em atuação na Delegacia Especializada; permanência exigida por 34 entidades de defesa dos interesses da mulher na Capital goiana!

Hélio Nascente*

"Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás".
(Ernesto Guevara de la Serna)

Nasceu em Goiânia a 9 de junho de 1968, aprendeu as primeiras letras no Instituto Araguaia, a partir de 1972. Guarda boas recordações das aulas educativas do professor Múcio, proprietário e diretor da escola. Teve uma in-fância feliz, mudou-se com os pais para Anápolis em 1974, aos seis anos de idade, onde estudou no Educandário Independência, da conceituada educado-ra Tia Neuza, permanecendo na cidade até 1978. De volta a Goiânia, freqüen-tou os bancos escolares dos seguintes estabelecimentos de ensino: Externato São José (dirigido pela Irmã Colomba), Farnese Maciel e Agostiniano e cursou o Segundo Grau no Colégio Objetivo. Rodrigo guarda boas lembranças dessa escola, referindo-se com saudades dos professores Silvão, Domingão, Soni-nha, e de outro que se tornou seu grande amigo, Carlos Augusto Mazzoni Filho – Carlão – falecido em 1987.
Paralelamente aos estudos, o jovem Rodrigo Luiz Jayme desenvolvia outras atividades. Por diletantismo, aprendeu a tocar violão, instrumento que executa com maestria, considerando a música como principal fonte de lazer. Ainda hoje, nas horas de folga, sempre compõe uma dupla com sua irmã Dori-ana.
Concluídos com brilhantismo os cursos fundamental e secundário, Ro-drigo tomou a decisão de seguir a carreira profissional do pai. Assim, iniciou o curso de Direito no segundo semestre de 1987, na cidade de Ribeirão Preto-SP, permanecendo ali por seis meses, quando foi submetido a um exame de seleção, e, sendo aprovado, foi transferido para a Universidade Católica de Goiás, onde bacharelou no ano de 1992.
Com o diploma na mão, o recém-formado advogado passou a exercer o ofício, militando no foro por aproximadamente três anos, até 1996, período de aprendizado prático em que teve por espelho e esteio seu próprio pai, a estrela que o guiava em todos os caminhos. Para ele, Luiz Jayme será sempre seu inspirador, não só na vida profissional, mas também em todas as sendas por onde pisar, já que considera que seu progenitor portou-se na vida com brilhan-tismo e com uma inteligência invejável.
Mesmo estando com o futuro garantido na profissão de advogado, Ro-drigo viu a oportunidade de prestar serviços ao Estado, quando surgiu um con-curso para delegado de Polícia. Fez os estudos preparatórios, ainda que traba-lhando ininterruptamente na Advocacia e logrou aprovação destacada para o cargo de Delegado de Polícia de 3.ª Classe em 1995, vindo a tomar posse em 19 de março de 1997, aos 29 anos de idade. Ele não se cessa de dar graças a Deus pela vitória alcançada, mas também não olvida jamais o apoio recebido de seus pais, que custearam seus estudos em todas as fases. Só em último lugar se lembra que também teve o mérito do seu esforço pessoal.
Rodrigo iniciou sua carreira como Delegado de Plantão, na cidade de Planaltina, localizada no Entorno de Brasília, de onde se transferiu Goianésia, onde já assumiu a Delegacia como titular. Ainda em suas etapas e peregrina-ções pelo interior, prestou serviços em Inhumas e foi transferido para a Capital, onde assumiu a Divisão de Apoio da Polícia Civil no Fórum de Goiânia; retor-nou para Goianésia e logo após assumiu as delegacias das cidades de Corum-bá de Goiás e Pirenópolis, e, finalmente, assumiu um plantão no 20.º Distrito Policial de Goiânia, e finalmente foi transferido para a Delegacia da Mulher.
Os méritos de Rodrigo como delegado não são poucos, como testemu-nham muitos dos que acompanharam de perto sua atuação nas diversas uni-dades policiais por onde passou. Ele se lembra de algumas atuações que mar-caram sua carreira, citando com perfeita lembrança um caso ocorrido em Goia-nésia:
– Foi feita a maior apreensão de maconha daquela época. A investiga-ção teve início através de um menor usuário, culminando na apreensão de a-proximadamente 40kg da droga procedente do Paraguai;
Outro trabalho de destaque foi a prisão e apreensão de vários jovens, por força de mandado judicial. A quadrilha era conhecida como a “Turma do Funk”, e seus integrantes eram praticantes de assaltos, consumo de drogas e vandalismo por toda a cidade de Goianésia. Foram presos aproximadamente 40 jovens. No presídio passaram por uma higienização, cortes de cabelo, visi-tas, palestras, etc. Em Goianésia pôde contar com o apoio e a amizade do Dr. Átila, juiz daquela cidade, e a partir de então se tornaram grandes amigos e um saudável sentimento de fraternidade os une perenemente.
Outro fato marcante na carreira do delegado Rodrigo Luiz Jayme ocor-reu na Delegacia da Mulher em Goiânia. Ele e seu colega, Dr. Divino Godinho, foram surpreendidos com uma Portaria assinada pelo Diretor Geral da Polícia Civil, removendo-os do Plantão da Especializada sem motivo aparente. Foi ventilado pela administração que não estaria correto delegado do sexo mascu-lino servir na Delegacia da Mulher, e que tal observação teria partido do Cevam – Centro de Valorização da Mulher – célebre e respeitada entidade de defesa dos direitos femininos em Goiânia.
Para surpresa do delegado, na data em que iria assumir o Plantão do 20.º Distrito Policial, ele recebeu a feliz notícia da revogação da referida Porta-ria. Graças ao Cevam, ao Conem e à titular da Delegacia da Mulher formou-se enorme corrente, tendo sido elaborado um abaixo-assinado com 34 assinaturas de entidades de defesa dos direitos da mulher, exigindo a permanência dos dois na Delegacia da Mulher.
Esse acontecimento foi único naquela Delegacia Especializada e tanto Rodrigo como Divino registraram com admiração a decisão e a força dos mo-vimentos femininos na luta e valorização da mulher, que ousaram ir pessoal-mente ao Diretor-Geral e exigir a sua permanência no cargo.
Rodrigo sentiu extremamente valorizado o seu trabalho, passando a contar com o irrestrito e imprescindível apoio do Cevam e de inúmeras outras entidades similares.
Segundo afirmação do delegado, houve ultimamente substancial avanço na atuação da Especializada, com diversos pedidos de prisões em casos de reincidência de atos violentos contra a mulher, pelo fato da aplicação das pe-nas alternativas se tornarem inócuas e obsoletas e nesse sentido ele está sa-tisfeito com o apoio e a atuação do Poder Judiciário e do Ministério Público.
Rodrigo é integrante de uma família pouco numerosa, mas fraterna e fe-liz. Seu pai, Luiz Amorim Jayme, falecido aos 60 anos no início de 2005, foi e continua sendo seu inspirador; sua mãe, Rosa Alzira Mendonça, é a pessoa que ele mais ama, ao lado de seu irmão e das irmãs queridas, com quem tem uma convivência que pode ser rotulada de perfeita fraternidade. São unidos não só pelos laços sangüíneos, mas também pela amizade e pela afinidade na arte musical. Aliás, a música está na raiz das origens da família Jayme, pireno-polina de antiga tradição, que já forneceu inúmeros músicos que cintilam na constelação artística brasileira.
Seus irmãos são Ricardo Luiz Jayme, Doriana Cláudia Mendonça Jayme e Luciana Mendonça Jayme. O primeiro é economista, agropecuarista e asses-sor do governo estadual. Suas irmãs, são, respectivamente, zootecnista e fisio-terapeuta. Sua mãe é empresária do ramo de chocolates, doces e festas, de-sempenhando papel de destaque profissional no Brasil e no exterior.
Rodrigo é solteiro, católico, considera-se simples, amigo solidário e cari-nhoso com quem ama.
Tendo ao seu lado a juventude e, conseqüentemente, um longo futuro a percorrer, seus projetos se resumem em constituir sua própria família e se de-dicar a cursos de especialização e mestrado em Ciência Penais e, finalmente, sua ambição mais ousada: conquistar o ingresso na Magistratura e no Magisté-rio na área jurídica.

*Hélio Nascente, editor da Anápolis TV Digital e acadêmico de Direito na Faculdade Raízes em Anápolis.

*Transcrito de AnápolisTV Digital
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