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terça-feira, 30 de junho de 2009

ELY CAMARGO, A DOCE CANTORA DE GOIÁS – Hélio Nascente


Cantora de grande talento, com inúmeras e eternas gravações, como Noites Goianas e Balada Goiana, é filha do compositor, maestro, professor de música e violinista Joaquim Édison Camargo e de Elcima Veiga de Camargo (neta de Veiga Vale, o mais famoso escultor de Goiás). Iniciou carreira como cantora profissional em 1962, em São Paulo, onde gravou inúmeros discos. Atualmente reside em Goiânia.

Ely Camargo é uma artista autêntica, idealista, feliz com a vida. Em seu apartamento no Setor Oeste, na aprazível capital goiana, respira o ar puro do bosque do Horto Florestal, localizado nas proximidades. Ela tem uma ascendência artística admirável, não sendo por acaso seus fortes e marcantes pendores para a arte musical desde a primeira infância. Ela conta que, pelo seu lado materno, houve no passado muitos músicos de talento, assim como compositores e também escultores, citando o maior de todos, o destacado Veiga Vale, pintor de renome nacional. Pelo lado paterno, seus familiares sempre lidaram com a música, o ambiente doméstico era todo musical; seu pai tocava violino, ensaiava com sua orquestra dentro de casa, e assim os filhos cresceram ouvindo o progenitor a tocar violino, a irmã Elcy Camargo a tocar piano, de forma que a música naquele lar era um acontecimento natural que fazia parte do dia-a-dia da família. Pertencendo a dois clãs de artistas de destaque, tendo nas veias a correr a mistura desses dois sangues de artistas, não é de se admirar que Ely Camargo tenha começado a cantar desde a primeira infância. Na residência de sua avó paterna, na cidade de Goiás, desde os três ou quatro anos de idade, sua tia Maria Camargo – famosa professora – a vestia de anjo para se apresentar na Igreja, desde que cantasse, porque os anjos tinham de cantar. Foi naturalmente um incentivo muito grande, ela foi uma pessoa trabalhada para cantar, embora nunca tenha estudado canto, sendo dona de uma voz natural.

Ainda na infância, Ely sentiu a sensação da mudança da família da antiga para a nova Capital, em 1938, já que seu pai era servidor do Liceu de Goiás e foi transferido para a nova Goiânia. Ela conta ter conhecido a cidade quando tudo era empoeirado, cheio de mato, quando a avenida Goiás estava sendo construída. Um fato histórico de que ela guarda viva lembrança é a visita do presidente Getúlio Vargas Goiânia, quando ela era ainda criança. Ela se lembra também de que conheceu o Dr. Pedro Ludovico naquela época, que ele estava sempre perto do povo, porque naquele tempo não existia um distanciamento entre os governantes e o povo, havia muita fraternidade entre as pessoas, as famílias se encontravam na rua, as crianças brincavam à vontade. Foi assim, nesse clima de liberdade e fraternidade que nasceu a nova Capital e Ely Camargo tem na memória essas lembranças vivas.

Sobre seus estudos, a cantora conta que estudou no Liceu de Goiânia, onde concluiu o Segundo Grau e depois estudou Farmácia na Santa Casa de Misericórdia. No Liceu ela foi colega do professor Nion Albernaz – posteriormente prefeito de Goiânia por vários mandatos –, que era muito estudioso e tinha em sua casa uma sala, onde ensinava Matemática e, como Ely tinha muita dificuldade nessa matéria, nas épocas de provas ela e mais quatro colegas pediam a ele 'pelo amor de Deus’ para ajudá-las com umas aulas de reforço, para que não fossem fatalmente reprovadas. E Nion convidava as colegas para sua sala e explicava, de maneira que Ely afirma que ele era um ‘colosso’ para dar aula de Matemática, todos acabavam aprendendo e tirando notas boas.

Os professores do Liceu de Goiânia na sua época de estudante, lembra Ely, eram ‘excelentes’, acontecendo que muitos alunos concluíam o curso e iam prestar vestibular nas universidades de São Paulo, sendo aprovados, por isso afirma sentir muito orgulho de ter convivido com tanta gente importante e boa na sua juventude.

Joaquim Edson Camargo
Ely Camargo é filha de um músico brilhante, apreciador, compositor e intérprete. Ela se recorda com muita saudade que seu pai, durante toda a vida gostou de música, foi professor, fazia famosas serenatas em Vila Boa com os amigos da família Alencastro Veiga, que eram músicos. Existiam orquestras que tocavam no cinema, ainda no tempo dos filmes mudos, uma das quais era chamada Orquestra Ideal, que tocava enquanto os filmes eram apresentados. Joaquim Edson era violinista e compositor, escrevia música assim como escrevia carta. Compôs muito. Por volta de 2001 Ely teve a oportunidade de gravar um CD com o nome de Lembrança de Goiás, só com as músicas escritas pelo próprio pai, entre as quais diversas inéditas. Ele foi a primeira pessoa a fundar uma orquestra em Goiânia, ensaiava no salão de casa, tocava nos bailes, no Jóquei Clube, no rádio, gostava muito de rádio, tendo sido diretor da Rádio Clube de Goiânia, a primeira emissora da cidade. O chefe da família tocava violino, uma filha acompanhava ao piano, enquanto Ely e sua irmã Elvane formavam a dupla Irmãs Camargo e cantavam. Joaquim Edson numca teve a oportunidade de fazer apresentações fora de Goiânia, mas Ely Camargo tem até hoje a felicidade de ter dado ao pai muita alegria quando ela foi para São Paulo em 1962, depois de ter cantado em todas as emissoras de rádio de Goiânia, fazer uns testes para ver se conseguia cantar na capital paulista, que já naquele tempo era um grande centro irradiador de cultura. Lá ela teve a oportunidade de gravar, foi contratada pela Rádio Tupy, apresentando o mesmo programa que apresentava em Goiânia, Canções de minha Terra, em horário nobre, depois do Grande Jornal Falado Tupy, aos domingos. Por isso seu pai ficou muito feliz porque ele se projetou nela, já que ele próprio jamais teve oportunidade, ficando feliz e se sentindo realizado, entretanto, vendo a filha fazer muito sucesso, não só no rádio, mas também com o disco que ela gravou logo que chegou em São Paulo. Foi um LP, coisa que era muito difícil de acontecer, porque as pessoas gravavam um disco 78 rotações, ou um compacto simples ou duplo, mas ela gravou um LP, gravando também as composições do próprio pai. Nesse período em São Paulo ela gravei 12 LPs e uma série de discos compactos nas gravadoras Chantecler, RCA Victor e Comep (comunicação Edições Paulinas), tendo lançado suas gravaçõles também em Portugal, na África do Sul e no México. Durante muitos anos teve programas exclusivos de rádio, intitulados Canções de minha Terra em diversas emissoras de São Paulo, tais como Tupy, Record e Nove de Julho.

Folclore
Ely Camargo dedicou-se também a pesquisas sobre o folclore brasileiro e ganhou todos os troféus como melhor intérprete outorgados pela imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro, dentre os quais o troféu Euterpe, da Secretaria de Educação e Cultura da Guanabara e jornal Correio da Manhã, troféu Imprensa de São Paulo, troféu São Paulo na TV, troféu Guarani e outros.
Viajou por todo o Brasil gravando, fotografando e filmando, recolhendo, assim, vasto repertório. Nos seus programas de rádio ela ainda cantou e divulgou muitas músicas de Goiás. Depois o então governador Mauro Borges ficou interessado em gravar um LP com músicas de compositores goianos e encarregou a jovem artista da missão. Por tudo isso ela conserva a alegria de saber que foi a primeira a cantar e gravar as celebrizadas canções Noites Goianas, Balada Goiana, Canção do Araguaia e outras músicas que fizeram e continuam fazendo tanto sucesso, já que são excelentes composições, de uma beleza indescritível. Noites Goianas é de autoria de Joaquim Bonifácio e Joaquim Santana enquanto que Balada Goiana foi escrita pelo juiz e depois desembargador Manoel Amorim Félix de Souza. Ambas homenageiam a cidade de Goiás e foram imortalizadas pela voz de Ely Camargo.

Rádio Brasil Central
A cantora se recorda com inescondível saudade dos seus primeiros dias como cantora de rádio em Goiânia. Ela fez apresentações aos microfones de todas as emissoras da Capital goiana antes de ir para São Paulo. Com relação à Rádio Brasil Central, ela explica que cantava sozinha, mas gostava de fazer dupla ou trio, assim cantava com sua irmã, formando a dupla Irmãs Camargo, desfeita com o casamento da segunda participante, mas em seguida fez dupla com Honorina Barra (tia do cantor Marcelo Barra), quando tiveram a oportunidade de ir a São Paulo, onde gravaram na gravadora Columbia dois discos de 78 rotações com músicas escritas pelo irmão de Honorina, Barra, pai de Marcelo e composições de outros autores.

Retornando para Goiás a dupla em breve se desfez e mais tarde Ely formou o Trio Guairá, com seu irmão Elman Camargo, Luiz Antônio, um nordestino que chamavam de Pau-de-Arara que ela conheceu na Rádio Brasil Central. Foi nessa emissora que Ely Camargo cantou durante mais tempo, havia programas de auditório, foi um tempo muito bom para ela e os demais cantores e músicos, tinham um repertório excelente. Mas até que seu irmão também tomou a decisão de se casar e aí, pronto, lá se foi mais um conjunto e a partir daí Ely Camargo passou a cantar solitária.

Ely fala ainda hoje, décadas depois daqueles acontecimentos alegres e descontraídos na RBC, que a equipe da emissora era muito boa, competente e conta que lá que ela trabalhou por mais tempo. O apresentador do programa de auditório era Luiz Carlos Pimenta, mas Ely busca na memória e encontra muitos nomes importantes, citando Sílvio Medeiros e sua esposa Norma Alencar, Geraldo Amaral e muitos outros.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Josenália Gomes de Souza, pérola de solidariedade cristã - Hélio Nascente


Josenália Gomes de Souza é membro da Sociedade de São Vicente de Paulo em Goiânia há muitos anos. Vicentina dedicada, solidária com os mais necessitados, fidelíssima aos princípios cristãos, Josenália é também secretária do Conselho Central de Campinas da entidade, prestando serviços diariamente na sede. Ela é uma mulher feliz, que, pela sua bondade e espírito solidário, conquistou uma legião de amigos e amigas, círculo que continua a expandir-se interminavelmente.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

PRESERVAÇÃO DAS MATAS CILIARES EM ALEXANIA


Hélio Nascente*

Erosão em Olhos d’Água, Alexânia: origem em uma estrada de carros-de-bois há 60 anos

O Município de Alexânia, localizado na região do Planalto, no leste de Goiás, é abrangido por terras de cerrado, o que significa existir uma fragilidade para a preservação de suas condições originais, criando facilidade de escorrimento da camada superior do solo por ação da intensa pluviosidade sazonal, que vai de setembro a abril, durando, portanto, cerca de oito meses por ano.

Em conseqüência, há uma forte tendência do aparecimento de erosões de grande vulto, principalmente em decorrência da ação e da omissão humanas, com o desmatamento e outras atividades econômico-sociais que expõem o solo nu à ação das enxurradas, que descola a camada superior de terras, levando-a para os cursos d’água, provocando enormes depressões, denominadas de erosões e conseqüentemente o assoreamento dos córregos, o que resulta no fatal desequilíbrio do ecossistema, em prejuízo das gerações vindouras.

A principal ação humana que causa esses danos ao ambiente é a destruição das matas ciliares com fins econômicos imediatistas, o que é prejudicial a longo prazo. Por isso, em muitos casos tardiamente, o Poder Público, por meio do Legislador, criou mecanismos legais destinados à prevenção dessas ações nocivas, com a cominação de penas para seus atores diretos.

Foi o caso da erosão surgida nas proximidades do povoado de Olhos D’Água (fotos anexas), chamado pela população de buracão e que já custou a vida de algumas pessoas ao longo da sua existência, além de incontáveis acidentes não fatais, mas causadores de algum tipo de prejuízo às vítimas.

Disse o morador de Olhos D’Água, Elcy Queiroz, de 72 anos – que viu o surgimento da erosão desde o primeiro momento, uma vez que o local situa-se na antiga fazenda de seu progenitor, onde foi criado – textualmente: “A erosão começou com a enxurrada sendo canalizada dentro do sulco de uma estrada de carros-de-bois e aos poucos foi aumentando até virar o que é hoje”. De fato, percorrendo-se o terreno acima do início da erosão, vê-se claramente a existência de vestígios da antiga estrada carreira coberta pelo capim e onde há novos inícios de deterioração do terreno. Segundo a informação da testemunha, o início, os primeiros sulcos da erosão ocorreu há 60 anos, quando ele, menino de 12 anos, exercia a atividade de candeeiro de bois para seu pai e transitava regulamente pela dita estrada, até que essa ficou intransitável em conseqüência das chuvas.

A Lei Orgânica do Município de Alexânia, que entrou em vigor em 2005, diz no capítulo referente ao meio ambiente:

Art. 203. Todos têm direito ao ambiente saudável e ecologicamente equilibrado, bem do uso comum do povo e essencial à adequada qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público Municipal e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para o benefício da atual e das futuras gerações.

§ 1.º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas.

Art. 210.São áreas de proteção permanente:

I – as de nascentes dos rios e os mananciais;

IV – Os fundos de vales e encostas.

Lei Orgânica do Município de Alexânia-GO).

O parágrafo primeiro e seu complemento do texto legal municipal coincide ipsis litteris com o que reza a Constituição da República Federativa do Brasil, cujo artigo 225 trata do assunto.

Só a atual administração municipal de Alexânia, tendo em vista a gravidade da situação causada pela erosão, tomou providências concretas com a finalidade de conter o avanço dos estragos causados na região, conseguindo a aprovação de um projeto que visa à solução do problema, com a participação da Administração Federal, o qual será implementado em 2009. Consta simplesmente da revitalização do local, por intermédio do plantio de vegetais adequados que irão evitar a continuação do desmoronamento da terra, inibindo, assim, o avanço da erosão.

Outra atitude da atual administração municipal de Alexânia foi a implementação de fiscalização visando cumprir o dispositivo legal, que diz:

Art. 206. As condutas e atividades lesivas ao ambiente, bem como a sua reincidência, sujeitarão os infratores a sanções administrativas e a multas, na forma da lei, independentemente da obrigação de restaurá-lo às suas expensas.

Lei Orgânica do Município de Alexânia-GO).

Diante desses textos legais federal e do Município de Alexânia, nota-se a existência de uma legislação ambiental que pode ser considerada como uma das mais avançadas do mundo, porém, a criação e instituição de normas que disciplinam o uso indiscriminado dos recursos naturais disponíveis, parecem não ter aplicação adequada, devido à falta de comprometimento e necessidade de manutenção dos recursos propriamente ditos.

Mas, apesar das pressões políticas de grupos econômicos hegemônicos, a administração municipal de Alexânia, mesmo timidamente, está dando mostras de que a preocupação com a preservação do meio ambiente não é letra morta. A revitalização da erosão de Olhos D’Água, providência postergada durante seis décadas pelo Poder Público, só agora encontra uma solução, com a iniciativa municipal em parceria com o Governo Federal, sendo que a este caberá a liberação de recursos orçamentários que viabilizem a implementação da importante obra.

Com essa atitude positiva, a administração visa dar cumprimento à lei que a norteia: “... restaurar os processos ecológicos essenciais...”. E, mais adiante, com a fiscalização sobre as ações de possíveis agentes (ou atores) da degradação ambiental, cumpre outra parte da legislação: “...preservar (...) os processos ecológicos essenciais...”

Assim, Alexânia dá ao País um exemplo de como agir em defesa da proteção ao meio ambiente, preservando as matas ciliares e as nascentes dos rios, e transformando a letra da lei em coisa viva, praticando o que está escrito e não, como acontece em todas as regiões, permanecendo a lei como letra morta. Só assim se poderá cumprir o que diz a Magna Carta brasileira:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

Vade Mecum RT 2008. Constituição da República Federativa do Brasil. 2ª ed. São Paulo: RT, 2008, p. 29 a 95).

*Hélio Nascente, autor: Projeto de Pesquisa apresentado no final do segundo período do curso de Direito. Faculdade Raízes – Anápolis-GO. Junho/2008 – Orientadora: Prof.ª Sandra Lopes.

ANTÔNIO PARREIRA – IDEALISMO ACIMA DE TUDO


Hélio Nascente*

Antônio Parreira soprando velinhas no seu “niver”


Antônio Parreira, falecido em setembro de 2007, viveu durante décadas em Alexânia-GO, sempre dedicando seu talento, sua cultura, sua inteligência brilhante em prol da imprensa local. Deixou grande número de amigos na cidade. Em novembro de 2001, o Jornal da AGI, de Goiânia, por iniciativa do então presidente da entidade, Walter Menezes, homenageou Parreira com a pequena biografia abaixo transcrita. Hélio Nascente, então redator do Jornal da AGI, colheu os dados com o ilustre homenageado e redigiu o texto. Hoje vive em Alexânia, tendo chegado à cidade três meses antes do passamento do amigo Parreira.


Nasceu em Guaxupé, Minas Gerais, no dia 25 de janeiro de 1926, onde estudou na Escola de Comércio, concluindo o curso de Perito Contador, com a duração de seis anos, posteriormente equiparado a curso superior. Com pouco mais de 30 anos de idade, em 1954, buscou horizontes maiores, transferindo-se para a Capital mineira, onde já tinha contatos políticos com líderes como Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves e com o veterano Arthur Bernardes, ex-presidente da República.


Em Belo Horizonte, ao mesmo tempo em que militava nas lides políticas, trabalhava e continuava os estudos, tendo feito o curso de Economia, profissão que adotou efetivamente, vindo depois a dedicar-se ao Jornalismo, misturando profissão com idealismo, com o gosto de escrever.


Trabalhou no jornal O Debate, depois chegou a ser membro do Conselho do Diário de Minas, órgão pertencente ao grupo político liderado por Negrão de Lima, que posteriormente veio a ser governador do Estado da Guanabara. A partir daí passou a se dedicar à profissão de jornalista.


Criou em Belo Horizonte o semanário Gazeta de Minas Gerais, que chegou a ter a surpreendente circulação de 50 mil exemplares.


Em 1962 transferiu-se para Goiás, estabelecendo-se na pequena e promissora Alexânia, tornando-se sócio do fundador da cidade, Alex, no empreendimento imobiliário que deu origem à cidade.


Em 1964 promoveu um comício de desagravo a favor do governador Mauro Borges Teixeira, fato que o fez ir para Buenos Aires, onde viveu durante três anos, num exílio voluntário, por não concordar com os rumos políticos tomados na época pelo governo militar. Foi para a Argentina espontaneamente.


Retornou para Belo Horizonte para continuar com o jornal Gazeta de Minas Gerais e ao mesmo tempo ingressou nas atividades políticas ao lado de Tancredo Neves. Depois instalou-se definitivamente em Alexânia, onde vive até hoje.


Resultados


Parreira fala francamente que o jornal Gazeta Regional é para ele mais o cumprimento de um idealismo, já que não dá resultados financeiros nem econômicos substanciais, rendendo apenas o suficiente para seu sustento.


Para ele, o grande resultado do jornal é o crescimento da educação da comunidade por meio da comunicação e constata que o Município cresceu muito nesse setor e que a grande maioria da população lê o jornal, diferentemente dos tempos de outrora, quando quase ninguém lia e chegaram a existir três jornais, mas com a duração de apenas alguns meses. Segundo Antônio Parreira, o jornal Gazeta Regional hoje faz parte da cidade, influindo diretamente até mesmo na maneira de ser da juventude. Uma pesquisa realizada em Alexânia verificou que 87% da população lê o jornal e o aprova.


Conselho para os jovens


Instado a dar um conselho para os jovens, para as novas gerações, o valoroso jornalista Antônio Parreira, do alto dos seus 70 anos, afirmou:


“Eu diria para o jovem de hoje colocar a cabeça no lugar, ser mais religioso, ter mais princípios, abandonar a droga, a bebida alcoólica, o fumo e viver em paz, dentro dos princípios religiosos, dos princípios humanos, cultivando o amor fraternal, o amor ao próximo de um modo geral, fazendo as orações quotidianas, porque só a oração faz com que tenhamos paz”.


E deu um exemplo: “No nosso tempo de jovens, no curso primário, antes de entrar para a sala de aula cantávamos o Hino Nacional e antes de se iniciar a aula fazíamos orações. Na minha opinião, desde que foi eliminada a obrigatoriedade da religião nas escolas, o ensino foi se deteriorando e não há mais seriedade, os alunos não sentem mis obrigação. No dia sete de setembro, ao mesmo tempo em que é executado o Hino Nacional, muitos jovens estão dançando, não acompanham, não sabem cantar, porque não aprenderam, porque a escola não ensina, a escola não é mais aquela”.


Finalizando, Parreira fez uma crítica ao ensino moderno, afirmando que “os professores de hoje pensam só no salário, esquecem o sacerdócio que deveria ser o ensino, porque é ensinando com amor que o aluno aprende e o pensamento hoje é só ganhar dinheiro, fazer greves e o verdadeiro ensinamento não importa”.


*Publicado no Jornal da AGI – Associação Goiana de Imprensa, Goiânia, edição de novembro de 2001.

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quarta-feira, 22 de abril de 2009

A FELICIDADE DE ANA PAULLA VIEIRA


Ana Paulla com sua mãe, Selma Vieira e sua maninha Danielle, felizes nas festividades das bodas do casal Dayse/Harrisson.

Todo mundo tem sua amizade "número um"! Essa amizade "número um" pode significar simultaneamente muitas pessoas. No caso da jovem de Alexânia Ana Paulla Vieira, ela tem, com seu imenso coração puro e bondoso, várias amizades "número um", uma das quais é sua amiga de infância e de colégio, Dayse, que se casou no dia 11 deste mês. Ana Paulla ficou muito feliz ao ver a felicidade da sua amiga querida.

sábado, 28 de março de 2009

GOIATINS... UM ÉDEM INEXPLORADO – Lázaro Reis*



Plantada na margem esquerda do rio Manoel Alves, na divisa com o Maranhão, encontramos a cidade de Goiatins: bonita, romântica e de gente humilde e hospitaleira.

Lá, eu e meu companheiro de viagem José Cruz, ficamos hospedados na residência do casal Domingos “Dentista” e D. Anita, que nos receberam com muita atenção e carinho.

Também fomos muito bem recebidos na residência do Sr. Deurival Coelho Soares – o mais jovem prefeito do Estado do Tocantins (35 anos) -, pessoa gentil e educada, que se colocou à nossa disposição.

Visitamos a localidade de Santa Maria, antiga Craolândia, a sessenta quilômetros de Goiatins, terras dos últimos remanescentes dos índios craôs em todo o Brasil.

Deliciamo-nos da carne seca com farinha de puba de D. Dalila, com os melões do “seu” Leo, as leitoas assadas do José Américo e das pescarias na companhia do Valteni; quando tive a satisfação (e susto) de fisgar uma enorme arraia de fogo, cujo ferrão trouxe para mostrar aos amigos. Tudo isso sem contar a aventura de ter que percorrer, por estradas ruins e sobre rios sem pontes, na famosa “marinete” do Salmeron, uma raridade de pessoa.

Sem dúvida, conhecer Goiatins foi uma experiência inesquecível.

À gente boa de Goiatins, a homenagem desta revista.

*Lázaro Reis, diretor da revista Alexânia News – 1989.

Post scriptum:

Hélio Nascente, do blogdoelius.blogspot.com.br, e www.anapolis.tv também conheceu Goiatins, em 1987, quando residia em Goiânia, no Jardim Vila Boa, e fazia diários de viagem. Eis as anotações referentes à ida àquela cidade, então norte de Goiás.

Estando percorrendo cidades do norte de Goiás, a serviço do jornal O Estado do Tocantins, órgão de imprensa que lutava pela criação da nova unidade de Federação, recebeu a incumbência de um amigo de Goiânia, médico Alberico Borges de Carvalho Júnior, de retirar nos cartórios de Filadélfia e Goiatins cópias das escrituras de terras, com os respectivos registros. Estando em Araguaína, viajou para essas cidades a fim de angariar matérias jornalísticas e anúncios comerciais para o jornal e ao mesmo tempo atender à necessidade do amigo médico e de seu sócio Luiz de Carvalho. Assim dizem trechos dos diários:

09.11.1987

05:11hs, na rodoviária de Araguaína, aguardando o ônibus das 05:30hs para Filadélfia. Na vinda de Goiânia para cá, saímos às 14:00hs do dia 7 (...), às 08:00 do dia 8 entramos em Araguaína. Logo em seguida encontrei-me com o Walter Menezes e o Antônio Barros (1), almoçamos e fui dormir num hotel em frente à Rodoviária.

Mais tarde fiquei conhecendo uma garota chamada E., com a qual copulei à noite, no hotel e ela deu-me de presente uma pasta para carregar documentos (2).

O Walter e eu conversamos com o Barros e o Hélio Araújo sobre o jornal O Estado do Tocantins (...).

Vim para Filadélfia hoje, saindo de Araguaína às 05:25hs e chegando aqui às 08:04hs, debaixo de uma tremenda chuva, tendo ficado escondido no Fórum até a chuva passar. A seguir, localizei o Sr. Zebedeu José de Souza, o qual disse que a despesa do Dr. Alberico e do Luiz de Carvalho ficaria em Cz$ 3.000,00 (três mil cruzados) cada, mais Cz$ 300,00 cada em Goiatins (3).

A seguir fui à Telegoiás (4) e liguei para o Dr. Alberico no Inamps e ele não disse se iria remeter o dinheiro hoje.

Logo a seguir almocei numa pensão e fui a Carolina-MA, onde aportei às 12:25 hs, mas fiquei lá até a Caixa Econômica Federal fechar e a OP (Ordem de Pagamento) não chegou.

Ao voltar para o porto, houve uma grande coincidência, que foi o encontro com a Custódia, mãe da Luciene, uma garota que mora em frente à minha casa. Fiquei lá um pouco e vim para a pensão, onde me hospedei e amanhã às 08:00 irei telefonar para o Dr. Alberico novamente.

10.11.1987

Levantei-me cedo e telefonei para a casa do Dr. Alberico e ele me disse que havia remetido o dinheiro no dia 9 à tarde.

Fui para Carolina e fiquei lá indo à CEF frequentemente, até às 14:00hs (quando os bancos fecham-se aqui) e o dinheiro não chegou.

Voltei para cá e telefonei para o Rubens de Lima pedindo a ele que entrasse em contato com o Dr. Alberico para ele cobrar da CEF-Goiânia a remessa da OP.

Em seguida fui tomar banho no rio Tocantins. Estava muito bom, só que eu estava sozinho numa imensidão de praia, diferente de quando estava em Miracema do Norte, junto com muita gente.

Vim para o Hotel da Dona Joana eram já 19:00hs, tomei banho, assisti a missa, depois jantei, assisti o Jornal Nacional. Depois dei uma volta pela cidade, estive na casa do Sr. Joaquim, carpinteiro, que mora na saída para Araguaína.

Fui dormir ainda cedo.

11.11.1987.

Numa pensão em Goiatins, às 21:23hs.

Levantei-me em Filadélfia às 07:00hs e fui à CEF-Carolina sem pressa, para dar tempo do dinheiro chegar.

Quando entrei na CEF eram 09:45hs e um funcionário, ao me ver e sabendo da minha intenção, levantou os braços e disse “chegou!”

Recebi e comprei passagem para cá para o ônibus das 15:00hs. Passei pela casa da Custódia, e fui para Filadélfia, mas lá chegando o cartório estava fechado. Fiquei lá, almocei e só às 13:00hs é que acertei com o Sr. Zebedeu e voltei para Carolina.

Saí às 15:00hs e cheguei aqui exatamente às 17:00hs.

Chegando aqui em Goiatins, imediatamente encaminhei no Cartório os papéis, os quais ficarão prontos amanhã de manhã.

Esta é uma cidade isolada e desprezada pelos poderes públicos. A energia elétrica é um motor que funciona até as 23:30hs. Não existe rua calçada e os meios de transporte são precários.

(Aqui só fui anotar no diário no dia 10.12.1987)

22:53hs. No Minas Hotel, em Gurupi.

Quando estive em Goiatins resolvi no dia 12 o que tinha ido fazer lá e tomei o ônibus às 09:00hs para Araguaína. No caminho, ao cruzar o rio Tocantins, havia uma balsa avariada, por isso atravessamos de canoa motorizada e aguardamos a chegada do ônibus, que ia em sentido contrário para fazermos a baldeação.

Cheguei em Araguaína às 14:50hs.

(1) Os proprietários do jornal O Estado do Tocantins, juntamente com Hélio Ribeiro.

(2) Essa pasta troquei posteriormente em Goiânia com meu amigo Rubens de Lima por uma máquina fotográfica.

(3) Aproximadamente R$ 700,00.

(4) Hoje Brasil Telecom.

Ilustração Fórum de Goiatins
http://www.tjto.jus.br/imprensa/imagens/inaug_goiatins4.jpg

Postado no site www.anapolis.tv

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Jason Abrão, radialista vitorioso


Hélio Nascente*

Jason Abrão é radialista desde os 11 anos de idade, tendo começado a labuta ainda no tempo dos alto-falantes. É locutor da Rádio Brasil Central de Goiânia desde 1971, onde apresenta nas manhãs de domingo o programa Goiás Caboclo, muito ouvido e apreciado em todo o Brasil e até no exterior. Natural de Cumari, reside na capital goiana mas acalenta o sonho de um retorno definitivo para sua terra natal. É um dos mais abalizados conhecedores da música sertaneja em todo o Brasil.

Jason Abrão é uma pessoa simples, apesar do enorme prestígio de que desfruta em todo o Brasil, mormente em Goiás, em conseqüência da sua participação em programas de rádio desde a infância. Ele garante ser um prazer enorme registrar as suas origens e se orgulha muito de ser natural da pequenina cidade do sudeste goiano, Cumari. Ele narra que seu pai, José Abrão, era descendente de libaneses. Seu avô habitou na cidade ainda em tenra idade, procedente de Trípoli, no Líbano. Sua mãe, Flora, era goiana de Catalão. A família de Jason Abrão tem uma história, uma afinidade com toda a região do sudeste goiano. Seu pai teve dois irmãos, Pedro Abrão, pai do ex-deputado Pedrinho e Abdalla Abrão, pai da senadora Lúcia Vânia, além de duas filhas mulheres que residem em Goiânia. Todos foram criados juntos, Lúcia e Jason fizeram o curso fundamental em Cumari na mesma época. Pedrinho nasceu em Goiânia. Sua família é pequena, embora existam muitas famílias ‘Abrão’ descendentes de libaneses. O clã de sua mãe é maior, os Silva Belo, de Catalão, tradicional e muito grande, quase todas as pessoas envolvidas com a terra como sitiantes, pequenos agricultores. São pessoas simples, mas benquistas em Catalão, Goiandira, Nova Aurora, Ouvidor e Três Ranchos. Sua mãe faleceu sonhando em voltar para Catalão, de onde saiu com 11 anos. Embora fosse afeiçoada a Cumari, sempre desejou que o marido voltasse para Catalão em virtude dos laços familiares. Essa a razão pela qual o prestigiado radialista gosta tanto dessa cidade e da região, e Catalão atualmente é um município de prestígio e foi muito bem governado nos últimos oito anos por um primo de Jason Abrão, o prefeito Adib Elias, que transformou a cidade com iniciativas audaciosas e progressistas. É sem nenhuma dúvida uma referência em progresso, economia e liderança política, sendo a cidade-pólo da região da Estrada de Ferro. Em Pires do Rio, que Jason faz questão de enfatizar ser sua segunda cidade, ele estudou no antigo Instituto Grambery, de 1957 a 1959. Jason gosta de descrever seus familiares: seus irmãos, Adma, Cleide e Pedro, também estudaram em Pires do Rio, para onde se transferiram em 1953. Ele tem uma grande afinidade por todas as cidades da região, como Pires do Rio, Urutaí, Ipameri, Goiandira, enfim, considera todas as cidades da região como uma grande família – a sua família.

Seus irmãos se encontram em Cumari. A primeira é Adma, advogada, viúva do Dr. Décio, criminalista conhecido e bem conceituado no Triângulo Mineiro. Depois vem Cleide, que foi prefeita da cidade por dois mandatos. O terceiro é o fazendeiro Pedro com o qual seu pai insistiu para que estudasse e se formasse, mas ele preferiu a lida com a terra, atividade a que se dedica até hoje. Jason é o seguinte. Segue-se irmão que é fiscal de rendas da Secretaria Estadual da Fazenda, Jacques. Depois é Jales, advogado e fazendeiro; por fim a caçula, Neide, casada também com um português, a exemplo de Cleide e seu esposo é fazendeiro em Cumari. Só Jason vive em Goiânia, à espera do momento oportuno de retornar para sua terra natal.

A esposa do radialista chama-se Hosana, sendo também natural de Cumari. Eles se conheceram ainda crianças, porque quando se mudaram da fazenda para a cidade, ambas as famílias tornaram-se vizinhas e assim os dois jovens praticamente foram criados juntos. Têm três filhos, sendo o primogênito Luciano, que foi radialista como o pai e hoje é advogado e professor universitário; o segundo é Anderson, piloto comercial nos EUA e a última é Vanessa, que vive com os pais em Goiânia.

No rádio
Com 11 anos Jason já estava nos corredores de uma emissora de rádio. Começou no alto-falante da Dona Chica, limpando discos e anotando os oferecimentos musicais. Ele recorda até hoje que seus colegas radialistas, quase sem exceção, começaram também no alto-falante, entre os quais J. Costa e Jerônimo Rodrigues, que ele considera o maior noticiarista do Brasil. Em seguida entrou efetivamente para o rádio, trabalhando na PRJ-3 de Araguari-MG. Com 11 anos já fazia nas pontas pequenos comerciais e daí para ter um programa próprio foi um passo. Começou muito menino e já completou mais de 30 anos só de Rádio Brasil Central, tendo estreado nessa emissora no dia 6 de setembro de 1971. Embora já tenha tido breves passagens por algumas outras emissoras, em todo esse tempo só esteve na Rádio Brasil Central. Jason Abrão em Goiânia jamais falou em outro microfone que não fosse o da RBC. Esteve antes na Rádio Educadora de Goiandira, juntamente com Geraldo Mariano, na Rádio Xavantes de Ipameri, na Rádio Cultura de Catalão, na PRJ3 de Araguari (MG) e na Rádio Danúbio de Cumari, uma emissora que sua família criou e que o regime militar implantado em 1964 fechou de uma forma arbitrária, violenta e até hoje os prejudicados estão tentando na Justiça reaver o prejuízo, pelo menos para compensar em o desaforo que sofreram com o trauma do fechamento da emissora.

Sempre que fala no assunto, o pensamento de Jason Abrão põe-se a vaguear pelo passado e ele conta que a emissora era uma das mais bem montadas do interior do Brasil, porque foi instalada com carinho, sendo uma propriedade da família, mas foi fechada abusivamente, bruscamente. Contudo, ele não guarda mágoa nem ressentimento pelo malfadado desfecho, porque considera que quando uma porta se fecha, muitas outras se abrem e para ele, em termos profissionais, o fechamento da Rádio Danúbio, que funcionou durante cinco anos, abriu novos horizontes. Fiel aos princípios religiosos, Jason tem consciência de que se devem tirar lições da adversidade e foi o que aconteceu com ele e seus irmãos, que, embora não fossem profissionais do rádio, estavam com ele naquele empreendimento, uma emissora bem montada, bem direcionada, com uma programação moderna.

Hoje Jason conta histórias da Rádio Brasil Central, porque nela ele tem trabalhado com muita gente, tendo começado com Moraes César, tendo sido uma espécie de capataz do célebre apresentador, juntamente com Amélio Alves e Gonçalves Lima; posteriormente trabalhou com Barrinha (da dupla sertaneja Silveira e Barrinha) durante seis anos, no programa Onde cantam os Campeões, embora já estivesse apresentando o programa Goiás Caboclo, que era diário, na onda tropical de 60 metros, direcionada só para o interior, depois passou para os sábados e domingos; posteriormente, há mais de 20 anos, aos domingos, das 7h às 10hs. Ao longo do tempo, Jason Abrão tem sido agraciado com vários prêmios de Melhor Programa Sertanejo do Brasil. Quem escolheu e colocou o nome de Goiás Caboclo nesse programa foi Amélio Alves, que não atua mais no rádio, sendo atualmente um dos advogados trabalhistas de maior credibilidade em Goiás. Amélio trabalhava com Moraes César e Jason apresentava seu próprio programa, No Ponteio da Viola, quando Amélio disse que aquele programa tinha uma cara de Goiás, uma cara de arroz-com-pequi, das coisas simples e por isso não poderia continuar com o nome que tinha, sugerindo então que passasse a se chamar Goiás Caboclo. Jason acatou a sugestão e a partir do dia seguinte fez a mudança, em 1978 e continua até os dias de hoje.

“... sem raiz não há tronco, nem caule, nem flor...”Jason se sente suspeito em falar qual a melhor dupla ou trio sertanejo do Brasil, porque ele defende com unhas e dentes a música sertaneja-raiz, raciocinando que sem raiz não há tronco, nem caule, nem flor e muito menos fruto. Assim ele poderia citar dezenas de duplas e trios que fizeram a música sertaneja no Brasil, como Raul Torres & Florêncio, Mariano & Cobrinha – uma das primeiras duplas a gravar a música sertaneja – Tonico & Tinoco – mais de 70 anos cantando – Zico & Zeca, Liu & Léu (esses são quatro irmãos que fizeram muito pela música sertaneja).

Além dessas tradicionais, verdadeiramente de raiz, Jason – com grande conhecimento de causa – fala de duplas mais modernas, e cita uma que ele considera como o divisor de águas da música sertaneja. Refere-se a Milionário & José Rico. Isto porque, até o aparecimento dessa dupla de sucesso, as pessoas da cidade tinham vergonha de ouvir a música sertaneja, não a ouviam em todo ambiente, nas camionetas de luxo. Só as pessoas mais velhas é que ouviam a música sertaneja, a juventude não ouvia e, quando gostava, ouvia às escondidas. Rapazes desligavam o rádio quando uma garota se aproximava, principalmente quando a música era de raiz. Filhos proibiam os pais de ouvirem, com receio de que vizinhos soubessem, porque o ato de ouvir música sertaneja era “coisa de roceiro”. Mas, com o surgimento da dupla Milionário & José Rico, as pessoas passaram a ouvir música sertaneja descontraidamente, sem preconceito. Muitos sucessos são ainda lembrados, como Estrada da Vida, Jogo do Amor e tantos outros da dupla que passaram a rodar nos veículos, nos bares... Por isso Jason considera a dupla Milionário & José Rico de muito valor, pelo fato de ter restaurado o gosto popular pela música sertaneja, que foi expandido, atingindo a todos, sem distinção de classe e origem social, quebrando preconceitos.

“... nada acontece neste mundo sem uma razão”Jason Abrão pode ser considerado como o maior conhecedor da música sertaneja que pontifica em Goiás. E, do alto desse conhecimento, ele gosta de contar uma história que diz respeito a um casal de irmãos muito querido em Goiás e no Brasil.

Ele conta que a grande maioria das pessoas desconhece a origem da dupla de muito sucesso Sandy & Júnior e a razão pela qual os dois jovens têm esse dom natural de tocar e cantar, de fazer festa, de fazer música, de fazer pagode. Eles são filhos do cantor Xororó, cuja esposa é filha de Mariazinha, que foi esposa e fez dupla com o também cantor Zé do Rancho. Eles são netos de Zé do Rancho & Mariazinha, que formaram o Duo Glacial. Mariazinha é filha de Serrinha, que fez dupla com Caboclinho, o qual tem uma história, foi um dos primeiros artistas a gravar música sertaneja e há uma particularidade muito importante, uma curiosidade. Serrinha tocava todos os instrumentos conhecidos, piano, violino, viola, qualquer que se colocasse em suas mãos. Morreu idoso. Fez mais de dez duplas, mas ficou conhecido nacionalmente cantando com Caboclinho, que era seu irmão. Depois a filha de Serrinha se casou com Zé do Rancho e então ele foi cantar com o genro. Juntos, os dois gravaram vários discos e fizeram shows por todo o Brasil. Por isso Jason afirma que, “na música, como na vida, nada acontece por acaso”, digressando sobre a carga de antecedentes artísticos herdada pelos jovens que encantam o Brasil.

Música & linguagem sertanejaNo seu programa de grande audiência por todo o Brasil, Jason fala sempre com absoluta convicção que a música e a linguagem sertaneja são universais. Ele entende do assunto com profundidade. Ele entende que as pessoas, independentemente do local onde moram, dos seus costumes, de suas raízes, de suas tradições, gostam da música sertaneja. No Nordeste a música predominante é o forró, no entanto, centenas de milhares de pessoas de toda a região são ouvintes e acompanham o programa Goiás Caboclo durante a vida toda. Têm um extraordinário conhecimento da música sertaneja de raiz e se comunicam permanentemente, assim como ouvintes do Paraguai, da Bolívia, do Uruguai, enfim, de quase todos os países sul-americanos. Embora a Rádio Brasil Central seja sintonizada no mundo inteiro, é nos países de língua espanhola, principalmente nos hispano-americanos, que ela tem uma audiência maciça, admirável.

Jason Abrão considera-se um homem muito feliz e fala isso com uma sinceridade emocionada. Diz mais, que é um abençoado, iluminado, porque faz o que gosta, dirigido para quem ele gosta, para quem o entende. Para ele o seu programa é curto, são três horas que passam com uma grande velocidade. Simultaneamente ele fala com as pessoas, as pessoas falam com outras pessoas. De repente o programa termina e Jason já fica com saudade para só voltar depois de oito dias.

*Hélio Nascente, editor da Anápolis TV Digital.